segunda-feira, 30 de maio de 2011

Nova África no olhar de Conceição Oliveira

Por: Conceição Oliveira
Durante nossas viagens em vários países africanos nossa equipe entendeu o porquê de o historiador Alberto da Costa e Silva ter definido o Atlântico como ‘um rio’ que separa o Brasil da África. Do lado da ‘outra margem do rio’, seja na costa ocidental africana ou na oriental, encontramos semelhanças entre nós  brasileiros e os inúmeros povos africanos que redescobrimos.
Povos distintos, culturas diversas, convivendo, às vezes, em pequenos espaços geográficos. Eles nos convidam a refletir sobre as micro-nações africanas, muitas delas submetidas a fronteiras arbitrárias impostas pelos europeus.


O óleo que usam para se proteger do sol tinge a pele dessas mulheres de vermelho, característica marcante das mulheres do povo Himba.
Nem sempre o mosaico étnico existente em diferentes países africanos é razão de conflitos. Na Guiné-Bissau, por exemplo, cerca de trinta etnias convivem pacificamente. Em Ruanda, onde o etnicismo foi forjado, a manipulação política de uma falsa etnicidade resultou na morte de um milhão de pessoas. Ao atravessar este ‘rio chamado Atlântico’ descobrimos que nem tudo é conflito étnico.
A África vista como um continente miserável não se sustenta. A República Democrática do Congo é um verdadeiro ‘escândalo geológico’, em Gana o solo fértil atrai gaúchos que estão plantando arroz;  nosso caju que brota por todos os cantos da Guiné-Bissau se tornou o maior produto de exportação daquele país, no Maláui a fome vem sendo combatida com fornecimento de insumos pelo governo aos pequenos agricultores.


Silos onde o arroz produzido por brasileiros é armazenado, interior de Gana.
Os conflitos que vimos de perto — por terras, no Zimbábue ou por riquezas naturais, na República Democrática do Congo — nasceram da disputa pelo controle de riquezas.  E não faltam riquezas naturais no continente africano:  10% das reservas mundiais de petróleo estão espalhadas em vários países da África, 80% do coltan essencial para a produção de celulares, videogames e outros eletrônicos saem do Congo.  Na atualidade, o grande desafio dos africanos é fazer os benefícios dessas inúmeras riquezas chegarem às populações locais.
A África hoje acolhe os chineses. A China importa um terço de todo o petróleo que consome da África. Isso levou a denúncias de um neocolonialismo chinês. Mas não foi bem isso o que descobrimos aos conversar com os africanos. Em Cabo Verde, os chineses erguem represa para armazenar água da chuva num país que não tem rios, trazem produtos baratos, acessíveis para a população em várias partes do continente.


Barragem de Poilão, Ilha de Santiago, Cabo Verde.
Os brasileiros também estão cada vez mais presentes no continente africano. Somos bem-vindos, porque estabelecemos uma relação de parceria com os africanos. Conhecimento e tecnologia brasileira estão contribuindo para potencializar a agricultura africana.
Outro mito desfeito em nossas viagens foi o da África como um continente preso no passado sem acesso à tecnologia. Os celulares estão em todas as regiões do continente. Os quenianos pagam até passagem de ônibus  pelo celular, em Zanzibar a mortalidade materna e a neonatal têm sido reduzidas com o uso da tecnologia celular. Em Cabo Verde o combate à dengue, usando a internet, assim como acesso gratuito à rede nas praças de cada uma das ilhas do arquipélago, mostram que  a modernidade tecnológica é bem-vinda.
Praça na Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde onde o acesso à internet é gratuito.
Ao longo de nossas viagem em quase duas dezenas de países africanos ouvimos escritores, pesquisadores, músicos, intelectuais, trabalhadores e descobrimos inúmeras histórias. Eles nos ensinam que a história do continente africano não pode ser contatada por uma única voz. Elas são múltiplas, por vezes dissonantes. Dentre elas a queniana Wangari Maathai, prêmio Nobel, o artista plástico moçambicano Naguib, o escritor moçambicano Mia Couto.
No Brasil, na outra margem do ‘rio’, o historiador brasileiro Alberto da Costa e Silva, especialista em África, o angolano Carlos Serrano e o congolês, Kabengele Munanga, ambos antropólogos radicados no Brasil, professores da Universidade de São Paulo, a professora Rita de Barros, diretora do Africa Consulting também falam sobre um continente africano que ainda precisa ser redescoberto por nós.

Por Maria Helena Zanon Salvador

Os três grandes lagos no Vale do Rift

Os três grande lagos do vale do Rift
Nelson Oliveira
Quem não ouviu já numa ou noutra conversa sobre ciclídeos os nomes Victoria, Tanganyika ou Malawi? Estes são os famosos três grandes lagos de África e encontram-se situados numa zona denominada por Vale do Rift. Formado acerca de 25 milhões de anos aquando da colisão entre o continente africano e a Eurásia este vale é bastante sinuoso e a sua altura mede-se desde os 400 m abaixo do nível médio do mar até aos 1850 m tendo uma extensão a rondar os 4800 km. Neste complexo de lagos e rios podemos encontrar espécies endémicas de várias famílias para além dos ciclídeos como por exemplo: Clariidae, Claroteidae, Mochokidae, Poecilidae, Mastacembelidae, Centropomidae, Cyprinidae e Clupeidae.
Resumido o Vale do Rift passemos então às suas jóias, os três grandes Lagos.
LAGO VICTORIA:
O Lago Victoria faz fronteira com o Kenya, o Uganda e a Tanzânia. Com uma área de 43178 km quadrados e aproximadamente 400 km no seu ponto mais largo este é o segundo maior lago de água doce do planeta. A sua profundidade média ronda os 35 metros sendo o ponto mais profundo a 76 metros. O Rio Kagera é o maior afluente do Lago Victoria mas muitos outros afluentes existem. O Rio Nilo é o destino final das águas do Victoria. Mais de 3000 ilhas podem ser encontradas no Lago, sendo algumas delas postos turísticos e outras completamente virgens.
Ao longo do tempo o Lago Victoria já secou por três vezes. Estes períodos de seca estão provavelmente relacionados com as épocas glaciares que provocaram um decréscimo abrupto na precipitação. O último período de seca registou-se acerca de 17 300 anos. Passados 2 700 anos o lago viu novamente o seu volume de água aumentar e é desde essa data que os seus ciclídeos endémicos deram início ao seu processo evolutivo até aquilo que são actualmente. Tudo no curto espaço de tempo de apenas 14 700 anos.
Este Lago é, à imagem dos outros dois grandes Lagos do Rift, conhecido pela sua diversidade de peixes da família Cichlidae e em tempos albergou mais de 500 espécies do género Haplochromis. E referimos em tempos porque, infelizmente, a realidade actual é deveras diferente e de certo modo desoladora. Com a introdução da Perca do Nilo (Lates niloticus) por parte dos habitantes locais o panorama modificou-se radicalmente. Foi na década de 50 que se deu esta introdução com o único propósito de proporcionar aos residentes das margens do lago uma nova fonte de alimento. Dado o carácter predatório e o seu tamanho considerável as percas não tiveram grandes dificuldades em extinguir grande parte das espécies endémicas o que tornou o lago num local muito mais pobre em termos de biodiversidade. Mais recentemente foi introduzida também a Tilapia do Nilo (Oreochromis niloticus). Estas agressões, em conjunto com o aumento descontrolado da população nas margens do lago e respectivo impacto negativo (desflorestação por exemplo) têm vindo a matar aos poucos as espécies endémicas do Lago Victoria. Neste momento existem já programas de manutenção de algumas espécies fora do contexto do Lago por forma a que mais tarde possam ser reintroduzidas tentando assim o Homem remediar o mal que tem vindo a fazer ao longo do tempo. Infelizmente muitas das espécies que existiram outrora jamais serão recuperadas.
Estudos científicos levam a crer que todas as espécies endémicas do Victoria têm origem numa única espécie ainda hoje existente que é a Astatotilapia nubile e por essa razão a classificação de ciclideos do Victoria torna-se bastante complicada dado que acabam por de uma ou outra forma estarem relacionados e terem bastantes semelhanças. Uma grande percentagem de espécies está classificada dentro do género Haplochromis, um género demasiado vasto e antigo que acaba por dizer pouco ou nada acerca das espécies que nele se incluem. Como em muitos outros ramos também na taxionomia a evolução não pára e actualmente existem já outros géneros no lago Victoria que nasceram do género Haplochromis, entre eles estão por exemplo os seguintes: Lithochromis, Paralabidochromis, Ptyochromis ou Pundamilia. Existem como é óbvio pontos de contacto entre todas as espécies e o facto de serem todos eles incubadores bucais assim como relativamente agressivos são apenas algumas das marcas que demonstram a origem é comum.
E como um mal nunca vem só até em termos de flora a vida deste “jovem” lago não tem sido fácil. A praga de Jacintos-de-Água (Eichhornia crassipes) que se apoderou do Lago trouxe diversos problemas a nível da qualidade da mesma para consumo e do uso do lago como meio de transporte, entre outros problemas. Felizmente e depois de algumas acções físicas e químicas a praga foi controlada e este é actualmente um mal menor.
Se no Lago Malawi ou no Lago Tanganyika a água é cristalina e permite uma profundidade de visão bastante grande já no Victoria as coisas não são bem assim. Em alguns locais no lago a visibilidade não vai além de pouco mais de um metro. Esta é mais uma das razões para o desaparecimento de algumas espécies e para a hibridação que se crê ser frequente mesmo no Lago. As fêmeas de grande parte das espécies são semelhantes o que as torna alvos apetecíveis por parte dos machos indepentemente da espécie destas. A falta de transparência na água implica dificuldade no estabelecimento de territórios por parte dos machos o que leva a que diversas espécies convivam em pequenas áreas originando cruzamento entre espécies.
No que toca à química da água esta aproxima-se bastante da água que encontramos no Lago Malawi. Alcalina e dura com valores a rondar os 8.5 de pH e dureza na casa dos 8 dH. A temperatura varia ao longo do ano entre 21º e 28º.
LAGO MALAWI:
O Lago Malawi, ou Lago Nyasa (nome dado a um barco da Marinha Portuguesa que esteve no activo aquando da Guerra Colonial), faz também bem parte do TOP10 dos maiores Lagos do planeta estando na nona posição neste ranking. As suas fronteiras são delimitadas pelo Malawi, Moçambique e Tanzânia. Com uma excelente visibilidade dentro de água (o que o torna num excelente local de mergulho e captura de peixes) o Lago Malawi estende-se ao longo de cerca de 600 km de comprimento por 40 km de largura. Em termos de profundidade são medidos em alguns pontos uns impressionantes 700 metros. Não esquecer que estamos a falar de um lago e não de um Oceano.
O Lago Malawi teve como primeiro visitante europeu David Livingstone o que levou a que o Reino Unido reclamasse para si direitos sobre o Lago. Apesar disso Portugal, devido a ter o controlo de Moçambique, tinha o domínio sobre a Costa Este do Lago, tendo sido as ilhas Likoma e Chizumulu colonizadas pelos escoceses.
Com mais de 500 espécies endémicas que não se encontram em qualquer outro local no Mundo este é um ecossistema fantástico onde reina a diversidade biológica. Por comparação podemos afirmar que só esta massa de água perdida no coração de África possui mais espécies do que toda a Europa e América do Norte em conjunto, o que é significativo do valor e importância deste Lago em termos de biodiversidade. Dadas as características dos ciclídeos provenientes do Malawi (cor, comportamento vivo, resistência física, tolerância ao erro do aquariofilista, etc) estes estão muitíssimo disseminados no hobbie sendo um dos grupos mais populares por entre os ciclidófilos.
Dentro da família cichlidae que podemos encontrar no Malawi estes podem ser separados em 2 principais grupos e um deles poderá ainda ser sub-dividido.
Os dois grupos principais são os Mbunas e os Haplochromideos e dentro destes existe ainda uma distinção entre o género Aulonocara (conhecidos por Peacocks) e todos os outros géneros que de uma forma vulgar são denominados por Haps.
Dentro do grupo dos Mbunas temos diversos géneros, a saber: Cynotilapia, Gephyrochromis, Iodotropheus, Labeotropheus, Labidochromis, Melanochromis, Metriaclima, Petrotilapia, Pseudotropheus e Tropheops (não confundir com Tropheus do Lago Tanganyika). Todas estas espécies (ou pelo menos a sua esmagadora maioria salvo raríssimas excepções como o caso dos Pseudotropheus sp. “Acei”) habitam em zonas rochosas e é daqui que nasce o termo “Mbuna” que no dialecto local significa “peixes de rochas”. Tipicamente os Mbunas habitam nas margens do Lago não se aventuram em grandes profundidades. A densidade populacional nas zonas habitadas por Mbunas é muito grande e num mergulho no Lago facilmente se vêm zona bastante concorridas onde diversas espécies coabitam entre si. Em termos de tamanho o grupo dos Mbunas é aquele que contém as espécies mais pequenas (mais uma razão para a sua popularidade no hobbie) quando comparado com os outros grupos de Haplocromideos.
A dieta dos Mbunas não sendo exclusivamente herbívora tem uma grande componente vegetal e este é um cuidado a ser levado em conta aquando da sua manutenção em cativeiro pois os Mbunas que sejam alimentados com excesso de proteína animal tendem a ter uma doença de nome Bloat apoderar-se do seu sistema digestivo levando em muitos casos os indivíduos doentes até à morte.
Em comparação aos Mbunas podemos dizer que os Haps não são agressivos no cômputo geral apesar de serem predadores. No entanto não devemos confundir o facto de um peixe se alimentar de outros peixes com níveis de agressividade. Na grande maioria das espécies de Haplocromideos encontramos um dimorfismo muito marcado visto que os machos são quase sempre maiores que as fêmeas e muitíssimo coloridos ao passo que as fêmeas pecam pela quase total ausência de cor. Dentro deste grupo encontramos os seguintes géneros: Aristochromis, Aulonocara, Buccochromis, Caprichromis, Champsochromis, Chilotilapia, Copadichromis, Cyrtocara, Dimidiochromis, Exochochromi, Fossorochromis, Lethrinops auritus, Lichnochromis, Mylochromis, Nimbochromis, Otopharynx, Placidochromis, Protomelas, Rhamphochromis, Sciaenochromis, Serranochromis, Stigmatochromis, Taeniolethrinops , Tramitichromis, Trematocranus e Tyrannochromis.
As espécies que fazem parte deste grupo ao contrário dos Mbunas gostam de espaços abertos e poucas rochas. Habitam em zonas mais interiores e profundas do lago.
Em termos da química da água temos muitas semelhanças com o Lago Victoria encontrando também no Malawi uma água muito dura e alcalina. A temperatura situa-se entre os 24º e os 30º consoante a época do ano. Estas semelhanças entre os dois lagos são um forte aliado do aquariófilo e saberemos mais à frente neste artigo o porquê disso mesmo.
LAGO TANGANYIKA:
Que melhor cartão de visita para o Lago Tanganyika do que os seus quase 680 km de comprimento que fazem deste lago o mais comprido do Planeta? Atingindo em alguns pontos mais de 1400 metros de profundidade ficamos desde já com uma ideia da grandeza deste maravilhoso ecossistema. Apenas o Lago Victoria é maior em termos de área no que diz respeito ao continente Africano sendo que o Tanganyika se mostra ao longo de 20500 km quadrados. As suas fronteiras estão limitadas pela Tanzânia, pela Republica Democrática do Congo e ainda pela Zâmbia. O Lago Tanganyika drena as suas águas através do Rio Lukuga que por sua vez desagua no vasto Rio Congo (outro maravilhoso local pleno de biodiversidade quando se fala em fauna aquática). Já os seus principais abastecedores são o Rio Ruzizi e o Rio Malagarasi.
O Lago Tanganyika não foge à regras das águas duras e alcalinas que tão bem caracterizam os lagos do Vale do Rift. No entanto aqui no Tanganyika são atingidos extremos que tornam este pedaço do planeta ainda mais especial. Dado que este é um lago muito “fechado” a concentração de sais é aqui muito maior visto que com a evaporação das águas os sais se mantêm na água aumentando assim a densidade desta. No Lago Tanganyika em alguns locais são medidos valores de pH acima de 9.5.
Em termos de fauna o Tanganyika alberga uma fabulosa diversidade de espécies com animais para todos os gostos. Esta é talvez a principal característica do Lago, a sua diversidade. No lago são encontrados ciclídeos desde os 4 cm até a uns imponentes 90cm. São também encontrados ciclídeos que habitam em rochas, em águas abertas, na superfície, em águas profundas, nas conchas, nos fundos lamacentos, etc…
Diversidade é algo de que o Lago Tanganyika não sente a falta. E esta é a principal razão para o sucesso dos seus habitantes no hobbie.
Também no campo científico o Tanganyika dá cartas devido aos inúmeros processos de especiação que se dão ao longo do processo evolutivo das suas espécies endémicas, sendo o lago uma excelente fonte de informação e base de estudo.
A vasta variedade de géneros de ciclídeos do Tanganyika é deveras extensa e salientamos apenas alguns dos principais e mais comuns: Cyprichromis, Cyathopharynx, Ophthalmotilapia, Eretmodus, Neolamprologus, Cyphotilapia, Julidochromis e Tropheus.
Por curiosidade salientamos que pelo menos 200 espécies de ciclídeos são encontradas no Lago ao passo que em toda a Europa Ocidental não mais que 60 espécies (ciclídeos e outros) vivem na Natureza.
A exploração do Lago no que ao hobbie diz respeito está cada vez mais desenvolvida e são cada vez mais os adeptos do Tanganyika que tentam recriar o seu habitat por entre paredes de vidro. Algo muita vez notado é que por norma, e fazendo uma média, os peixes do Tanganyika chegam até a nós a preços mais elevados do que os seus parentes dos outros grandes Lagos. Poderão existir várias razões para tal mas uma das principais prende-se com o facto de o Lago Tanganyika encerrar diversos perigos como é o caso dos Hipopótamos ou Crocodilos que o habitam. Em alguns pontos do lago a pesca pode tornar-se de facto muito perigosa o que aumenta exponencialmente o preço dos indivíduos capturados. Esta inflação nos preços nota-se, por razões óbvias, acima de tudo nos espécimes selvagens.
De salientar ainda o peso da história que o Lago Tanganyika carrega, tendo sido palco de grandes batalhas aquando da I e II Grandes Guerras. O famigerado comandante Che Guevara foi um dos homens que usou as margens do rio como campo de treino.
E em cativeiro? Quais as diferenças?
Depois de conhecermos um bocadinho melhor os Lagos e as suas características decidimos então qual o biótopo que mais nos agrada. E feita a escolha temos que preparar cuidadosamente o nosso aquário.
O que pretendemos aqui é fazer um apanhado sobre as principais questões que devem ser levadas em conta quando montamos um aquário para Tanganyikas, Malawis, Victorias ou mesmo um aquário em que podemos misturar algumas espécies de lagos diferentes.
O Lago Victoria
Começando pelo aquário do Victoria salta à vista que as suas diferentes espécies acabam por ser semelhantes e aqui os riscos de hibridação são mais que muitos pelo que todos os cuidados são…poucos.
Em grande parte das espécies do Victoria as fêmeas são de muito difícil distinção e como tal devemos evitar a mistura de espécies do mesmo género de forma a mitigar o mais possível os riscos de hibridação.
A escolha dos ratios macho/fêmea é também deveras importante pois caso um macho tenha pelo menos duas fêmeas da sua espécie a probabilidade de querer procriar com fêmeas que não as suas diminui bastante.
O outro principal problema quando toca a um aquário de ciclideos africanos dos grandes lagos para além da hibridação é a agressividade dos animais. E o Victoria não é excepção.
Isto remete-nos para um cuidado especial com a decoração do aquário por forma a criar esconderijos suficientes para os peixes mais fracos (em especial as fêmeas) se poderem esconder. Temos que ter em conta que os machos reclamam para si territórios onde não gostam de ver entrar qualquer outro macho pelo que deveremos proporcionar um território para cada um. Estes territórios são normalmente delimitados por rochas ou plantas altas (vallisnerias ou crinuns por exemplo).
Os Vics (como são carinhosamente apelidados os peixes do Victoria) são peixes extremamente activos e que adoram nadar pelo que aquários pequenos não servem para albergar estes peixes. Um mínimo de 120 cms de frente é indispensável e não deverá ter mais que duas a três espécies. Com aquário maiores podemos então ter um leque mais alargado de espécies não esquecendo nunca os cuidados acima referidos para a escolha das mesmas.
O Lago Malawi
Quando planeamos um aquário que vise a reprodução de um biótopo do Malawi temos logo de inicio que tomar uma decisão: Vamos meter apenas Mbunas, apenas Haps ou vamos reunir espécies dos dois grupos? E esta é uma decisão importante pois vai pesar no tamanho do aquário e na sua decoração.
À partida teremos que ter cuidados no que toca à hibridação independentemente do(s) grupo(s) escolhidos.
Abordando a questão da hibridação em espécies do Malawi temos que pensar em cores e géneros.
Quando nos decidimos a manter Mbunas temos que levar em linha de conta a coloração dos animais, principalmente das fêmeas. Espécies cujas fêmeas sejam semelhantes não deverão conviver no mesmo aquário, independentemente de pertencerem a géneros diferentes. Não que obrigatoriamente se dê a hibridação mas é, à cabeça, uma segurança extra. É que os machos tendem a escolher as fêmeas pela cor e pouca diferença faz que seja de uma ou outra espécie desde que seja da cor das fêmeas da sua própria espécie.
Tal como com as espécies do Victoria também aqui deveremos sempre garantir que não existem machos ou fêmeas sem par já que um peixe sem parceiro da própria espécie é uma “ameaça” pois tal como qualquer outro indivíduo também quererá reproduzir…independentemente da espécie do parceiro. De preferência não devemos misturar também muitas espécies do mesmo género a menos que sejam cromaticamente bastante diferentes.
No que diz respeito à agressividade devemos evitar ter machos com cores semelhantes pois estes tendem a lutar entre eles que se encararam como ameaças. Não é por acaso que na Natureza as populações locais variam bastante e tipicamente não se encontram espécies semelhantes nas mesmas áreas do lago. Deste modo quer os níveis de agressividade quer o risco de hibridação é substancialmente reduzido.
Caso optemos pelo grupo dos Haplocromideos teremos à partida menos problemas em termos de agressividade dado que são peixes bastante mais calmos, ainda que grande parte deles sejam predadores. No entanto em termos de hibridação o problema mantém-se…adensa-se.
Num aquário de Haps devemos providenciar acima de tudo espaço, muito espaço, para que os animais possam esticar as barbatanas como tanto gostam. Aqui as rochas são apenas para marcar pontos de referência e pouco mais já que os peixes não as usam como refugio e podem mesmo ver-se em sarilhos pois têm algumas dificuldades em sair de tocas fechadas pelo que todos os possíveis esconderijos deverão ter passagem por dois lados evitando que um Hap tenha que dar a volta.
Na escolha das espécies em situação alguma devemos ter duas espécies do mesmo género. E mesmo entre géneros diferentes deveremos ter em atenção às fêmeas pois caso sejam semelhantes a hibridação tem grande probabilidade de acontecer. Visto serem peixes com um apetite sexual bastante voraz devemos sempre que possível providenciar mais do que uma fêmea por cada macho pois estes estão constantemente prontos a procriar o que leva a que algumas vezes as fêmeas abortem a incubação dada a insistência dos seus pares.
Falando de agressividade este grupo é bastante pacifico quando comparado, por exemplo, com os seus parceiros de lago – os Mbunas. Normalmente os machos não são implicativos, mesmo entre machos. A violência num aquário de Haps normalmente resume-se a umas corridas e pouco mais. Existe até quem decida ter os chamados “aquários de exposição”. Estes aquários são compostos por diversas espécies (aqui mesmo sendo algumas dentro do mesmo género) mas apenas por machos. Consegue-se um aquário extremamente rico em termos de cor e vivacidade sendo que se perde a componente tão fascinante que é o comportamento reprodutivo.
E se, quer os Haps quer os Mbunas, coabitam no lago porque não mantê-los juntos em cativeiro? Não sendo a opção mais comum é ainda assim perfeitamente viável desde que sejam levados em linha de conta alguns factores.
Temos desde logo que pensar em como garantir o bem-estar de ambos os grupos e para tal precisamos de equilibrar o aquário em termos de rochas (para os Mbunas) e espaços abertos (para os Haps). A escolha das espécies a misturar é aqui também deveras importante dado o comportamento belicoso dos Mbunas que nada que tem ver com a calma e tranquilidade dos Haps. Assim sendo convém escolher Mbunas menos agressivos e Haps com mais estofo. Nestes aquários a probabilidade de termos sucesso nas reproduções sem separar as fêmeas é menor dado o carácter predatório dos Haps.
Deve ser ainda levado em atenção o facto de existirem Haps bastante agressivos (Nimbochromis, Dimidiochromis, Fossochromis) que devem requerer atenções um pouco mais particulares e aquário particularmente grandes (mínimo de 150 cms sendo que idealmente deverão ter 200 cms de frente).
O Lago Tanganyika
Este biótopo oferece-nos desafios diferentes visto que só por muito má escolha de espécies (ou em situações muito particulares como o caso dos Tropheus) se poderá dar a hibridação. É sem dúvida um ponto a favor do Tanganyika mas existem outros contra. Quando chegada a hora de escolher as espécies temos que pensar em como ocupar as diferentes zonas do aquário de forma equilibrada dada a especificidade de cada uma das espécies. No Tanganyika cada espécie tem o seu papel bem definido assim como o tipo de habitat que apreciam e em conjunto formam um puzzle que deverá ser cuidadosamente pensado.
Depois de escolhido o biótopo Tanganyika temos que pensar se o que queremos é um comunitário onde possamos observar diferentes comportamentos, ou se preferimos focarmo-nos apenas num determinado habitat dentro do Lago.
Caso optemos pela primeira opção, temos à partida que ter um aquário com um mínimo de 100 cms e, mesmo assim, as opções que se podem tomar são pouco diversificadas. Ainda assim, podemos optar por uma espécie que habite nas rochas (tipicamente Julidochromis ou Neolamprologus) e uma outra que viva em águas mais abertas (Cyprichromis por exemplo). Se a espécie que habita as rochas for pequena e relativamente pacifica podemos ainda arriscar a manter uma terceira espécie que habite em conchas (existem em Portugal cada vez mais adeptos dos pequenos conchiculas e a sua variedade por cá começa a ser uma realidade).
No caso de termos um aquário maior podemos começar a pensar em manter os chamados filtradores de areia (Xenotilapias, Callochromis, Enantiopus, etc). Estas são espécies pacíficas que denotam apenas alguma agressividade intra-especificamente pelo que os seus parceiros deverão também eles serem calmos e de preferência não habitarem o solo.
Espécies que requerem também elas mais espaço são por exemplo as Ophtalmotilapias ou Cyathopharynx. Estas vivem em plena coluna de água e sendo exímios nadadores gostam de muita água e poucos obstáculos.
Como foi dito acima os conchiculas são cada vez mais populares no hobbie e uma das principais razões prende-se com a sua fácil manutenção e poucas exigências em termos de espaço. Quer num pequeno (60 cms) mono-espécie ou num cantinho de um comunitário são sempre alvo de muitas atenções do seu dono dada a sua personalidade e extrema coragem. Para mantermos estes pequenos gigantes bastará proporcionar-lhes um conjunto de conchas que se encarregarão de dispor ao seu gosto pessoal.
O grupo dos góbios (Eretmodus, Tanganicodus e Spathodus) é também uma excelente opção para um comunitário ou mesmo para manter apenas um casal isoladamente. Ocupam o nível inferior do aquário mas não são particularmente territoriais preferindo deambular por todo o aquário. Uma rocha lisa ou área de areia livre são apreciadas aquando da cópula visto que é nessas áreas que se desenrola toda a acção.
Basicamente quando optamos pelo Tanganyika devemos fazer uma divisão mental do aquário em áreas e/ou níveis e mediante o espaço disponível escolhemos então as espécies que melhor se encaixam. Deveremos ter como preocupação a ocupação do solo (conchas, rochas ou espaços abertos) e do nível superior (rochas, plantas ou coluna de água livre). Conchas deverão estar bem isoladas das rochas para evitar conflitos entre os habitantes de ambas as zonas.
Intencionalmente deixei os Tropheus para o fim pois são um género à parte (gostando-se ou não) e que devem ser vistos de forma diferente. Podemos de forma simplista encará-los um pouco como os Mbunas do Tanganyika. São peixes de cardume que devem viver em grupos grandes e em aquários espaçosos. Idealmente em aquários mono-espécie mas podendo também serem misturados com conchiculas ou góbios (estes últimos partilham do mesmo regime alimentar dos Tropheus que é maioritariamente herbívoro). Os Tropheus são peixes agressivos e a montagem de um aquário para eles gera sempre controvérsia pois existem quem defenda que idealmente deverá ter muita rocha para permitir que se escondam nas suas lutas e por outro lado existe a corrente que no diz que um aquário para Tropheus não deverá ter rochas dado que assim evita o estabelecimento de territórios. Outras teorias há sobre machos ou fêmeas dominantes e muito mais haveria para dizer sobre este género. Quero apenas salientar que, a menos que o aquário seja de facto muito grande, apenas uma espécie de Tropheus deve ser mantida evitando assim que uma espécie domine a outra ou que se dêem cruzamentos entre espécies.
Misturar ciclideos de diferentes Lagos. Sim ou Não?
Esta é mais uma questão de certa forma polémica. Os puristas, claro está, defendem que não se deva fazer. Já aqueles que não seguem a “etiqueta” tão à regra não mostram qualquer problema em fazê-lo. Como em tudo (ou quase) neste hobbie, passa um pouco pelo bom senso. Existem obviamente misturas que jamais deverão ser feitas e outras há que resultam sem qualquer problema.
Não é de todo incomum ver aquários de Mbunas terem no seu setup uma espécie do lago Victoria e de facto não existe nada, para além do purismo, que nos mostre que é uma mistura errada. É certo que os regimes alimentares são diferentes mas facilmente um Victoria se adapta à comida oferecida aos restantes Mbunas. Para além do mais é uma excelente adição em termos de cor (vermelho como cor predominante) visto que nos Mbunas o vermelho é uma cor pouco comum.
Misturar góbios do Tanganyika com Mbunas também resulta perfeitamente visto serem peixes de hábitos parecidos (incubadores de boca e maioritariamente herbívoros) e tendo até a vantagem de ocuparem zonas diferentes do aquário.
Manter C.frontosa (Tanganyika) com Haps do Malawi de grandes dimensões não implica problemas de maior visto serem todos peixes carnívoros e de grandes dimensões que poderão viver em conjunto sem dificuldades.
Estes são apenas alguns exemplos de misturas felizes entre peixes de diferentes Lagos. Fica ao critério do ciclidófilo preferir manter-se fiel a um biótopo ou não. A sensatez é aqui a peça fulcral aquando da tomada de decisão sobre que peixes manter.

Maria Helena Zanon Salvador

A África e a crise global

África se recupera rapidamente da crise econômica global, segundo ONU
Levantamento prevê crescimento de 5% no continente em 2011; apesar da alta, região não deve alcançar metas de desenvolvimento da ONU

O relatório da ONU elogia o desenvolvimento econômico de Gana, Etiópia e Uganda
Adis-Abeba, Etiópia - As Nações Unidas apresentaram nesta terça-feira o relatório sobre a situação econômica mundial e as perspectivas para 2011, que indica que a África se recupera rapidamente da crise global.
Segundo o texto da ONU, a economia da África cresceu 4,7% em 2010, e se prevê que cresça 5% em 2011 e 5,1% em 2012, o que a transformaria na região do mundo com o desenvolvimento econômico mais rápido.
"A África seria a região com maior crescimento no mundo em 2011, e se espera que mantenha essa posição nas próximas décadas", disse em entrevista coletiva o chefe de análise macroeconômica da Comissão Econômica para a África (ECA, na sigla em inglês) da ONU, Adam Elhiraika.
No entanto, mesmo com este crescimento o continente africano não conseguiria cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), segundo Elhiraika.
Apesar disso, o relatório ressalta que a produção agrícola e mineradora da África está se diversificando, e que o investimento estrangeiro direto no continente, que na maioria dos países se concentra no setor das matérias-primas, também está crescendo.
Além disso, Elhiraika destacou que em alguns países como Gana, Uganda e Etiópia, também se registra um crescimento significativo do setor industrial e de serviços.
Fonte: Exame.com do dia 18/01/2011

domingo, 29 de maio de 2011

Os enfrentamentos étnicos na África Central

Refugiados fogem dos conflitos raciais em Ruanda
Os embates entre hutus e tutsis, na África Central, criaram um quadro de massacres e instabilidade política em Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo (ex-Zaire, antigo Congo Belga). O conflito em Ruanda provém de uma longa história de rivalidades tribais e étnicas. Após a Segunda Guerra Mundial, o grupo hutu se rebelou contra a monarquia tutsi e desencadeou uma guerra civil. Vitorioso, mas carente de ideologias, o governo hutu organizou o Estado baseado em critérios étnicos: os tuas se ocupariam das tarefas artesanais, os tutsis da criação de gado e os hutus da propriedade da terra. Em 1982, o general Juvenal Habyarimana abriu novos rumos, numa gestão mais democrática e com melhorias sociais. O assassinato de Habyarimana, em1994, foi o estopim para os ataques entre hutus e tutsis. A violenta guerra civil em Ruanda levou ao genocídio de tutsis por extremistas hutus. A vitória dos tutsis, no entanto, provocou o êxodo de civis e combatentes hutus para o leste do Zaire (atual República Democrática do Congo), onde ficaram em campos de refugiados. Rebeldes tutsis que queriam derrubar o governo do Zaire – controlado pelo ditador Mobutu – dominaram a região e expulsaram os refugiados hutus. Os civis voltaram a Ruanda. Os combatentes, temendo represália tutsi, foram para as florestas. Massacres e instabilidade política espalharam-se nos países vizinhos. No Zaire, após décadas de luta guerrilheira, o ditador Mobutu, no poder desde 1995, foi deposto por Kabila, em 1997. No final de 1999, tropas ruandesas e ugandenses, que entraram no país para ajudar os oposicionistas, começaram a lutar entre si pelo controle das áreas produtoras de diamantes. Em fevereiro de 2000, buscando encaminhar a paz, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio de uma força militar ao país para tentar aplicar o acordo de paz firmado no ano anterior.
Postado Por : Maria Teresa S. e Silva

As ex-colônias portuguesas

Após a independência, estouraram guerras civis nas ex-colônias portuguesas. Em Moçambique, o grupo socialista Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) assumiu o poder, enfrentando a oposição da anticomunista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo). Os conflitos continuaram na década de 90, embora a Frelimo tivesse abandonado o marxismo. Em Angola, confrontaram-se três grupos guerrilheiros de ideologias e etnias diferentes. De um lado, o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), de orientação socialista, apoiado por Cuba e União Soviética. De outro, a União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA – dissolvida no fim dos anos 70), ambas de alinhamento pró-ocidental e auxiliada pelos Estados Unidos e pela África do Sul. Apesar de reconhecida por vários países, a vitória do MPLA nas eleições de 1992 não foi aceita pela Unita. Os choques entre etnias e seus grupos políticos já causaram 1,5 milhão de mortos e, a cada ano, cresce o número de vítimas dos campos minados pelos rivais. Embora tenham feito um acordo de paz, forças do governo (MPLA) e guerrilheiros da Unita ainda combatem pelo controle de áreas do país.

Postado Por : Maria Teresa S. e Silva

A situação da África


A região conhecida como África Negra – território ao sul do Saara – está associada a massacres entre etnias, guerrilhas, tribalismo, governos opressores, atraso, miséria, epidemias e endemias. Com o fim da Guerra Fria, devido ao abandono internacional, conflitos étnico-tribais explodiram, reforçados pela marginalização social e estagnação econômica dos países recém-emancipados.

Postado Por: Maria Teresa S. e Silva





África: Era Contemporânea

                                                 
                                                              
O Fim do Apartheid
                                                
A palavra apartheid denomina o conjunto de leis e decretos restritivos impostos, a partir de 1948, pela minoria branca da África do Sul ao restante da população. O apartheid jogou na ilegalidade o Congresso Nacional Africano (CNA) e, em 1963, encarcerou seu líder, Nelson Mandela. Em 1976, a opinião pública internacional indignou-se com a brutal repressão policial que custou a vida de 700 jovens manifestantes nas ruas de Soweto. Um ano depois, a tortura e a morte de um jovem advogado negro, Steve Biko, acelerou o isolamento da África do Sul nos tribunais internacionais. O apartheid chegou ao fim em 1990, quando o presidente Frederik de Klerk legalizou todos os partidos políticos proibidos. O CNA negociou com o governo de minoria branca o fim do apartheid e Nelson Mandela, líder da maioria negra sul-africana, foi libertado. As eleições gerais, realizadas após sua liberdade, foram vencidas pelo CNA. Em abril de 1994, Nelson Mandela assumiu a presidência da África do Sul e formou um governo multirracial. As eleições parlamentares de 1999 garantiram a manutenção do CNA no comando do país, confirmando a escolha de Thabo Mbeki, indicado por Mandela, para a presidência. Seu atual desafio é fortalecer a democracia e minimizar os graves problemas internos (diferenças sociais entre brancos e negros, Aids, oposição branca etc.).

  Postado Por: Maria Teresa S. e Silva

Fronteiras Artificiais da África

                           
           Entre os séculos XV a XIX a presença dos europeus na África se restringia a poucos pontos litorâneos, que se transformaram em entrepostos comerciais de mercadorias e escravos.
           Na segunda metade do século XIX ocorreu à ocupação imperialista no continente africano, foi uma fase  de dominação européia.
           No Congresso de Berlim (1884- 1885) foi oficializada a partilha da África entre as potências européias. Os europeus fizeram da África a fonte de matéria prima que a Europa precisava principalmente porque ela se industrializava. Repartiram o continente de acordo com os interesses do colonizador.
           A partilha da África não aconteceu apenas de forma pacífica. Ocorreram conflitos entre as potências européias principalmente Reino Unido e França.
           Ao final da Segunda Guerra Mundial, a Europa perdeu poder político, econômico e militar. Acontecem rebeliões nas colônias africanas, reivindicando a independência.
           Após o processo de independência dos países africano as “fronteiras artificiais” foram mantidas. São assim chamadas pelo fato de reunir em um mesmo território colonial, diferentes grupos étnicos, ou seja, diversas nações muitas vezes rivais.
          Os conflitos étnicos continuaram a acontecer, após a Segunda Guerra Mundial nos países africanos que conseguiram sua independência. Durante a Guerra Fria os governos dos Estados Unidos e da URSS, forneceram armas e apoio financeiro a grupos rivais dentro do mesmo país

Escrito por: Marta Aparecida da Silva Teixeira.

O neocolonialismo e a partilha da África.





A ocupação territorial, a exploração econômica e o domínio político do continente africano têm início no século XV e estende-se até o século XX. No século XIX, após a Revolução Industrial, outras potências européias, além de  Portugal e Espanha, iniciam um nova corrida colonial: Reino Unido, Bélgica, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Rússia e Itália. O objetivo era encontrar matérias – primas para abastecer suas economias, mão – de – obra barata e novas regiões para investir o capital excedente, construindo ferrovias ou explorando minas. Havia ainda o crescimento acelerado da população européia e a conseqüente necessidade de novas terras para se estabelecer. No plano político ter colônias significava ter prestígio.
Entre os missionários havia quem considerasse um dever dos europeus difundir sua cultura e civilização entre os povos  gentios, verdadeiros selvagens sem alma. Na verdade, as ações dos evangelizados preparavam o terreno para o avanço do imperialismo no mundo afro-asiático.
O movimento intelectual e científico teve um papel determinante nesse processo, pois desenvolveram - se teorias racistas,a partir, a partir das teorias evolucionistas de Darwin, que afirmavam a superioridade da raça branca.
A competição entre as metrópoles na disputa por novos mercados e os conflitos gerados pelos interesses colonialistas criam tensões e instabilidades que determinam a partilha da África e desembocam a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918).
A Conferência de Berlim (1884/85). Realizada em Bruxelas, na Bélgica, oficializa a divisão; a Europa fica com o domínio de 90% das terras africanas até 1914, assim distribuídas:
França: Tunísia, Argélia, Marrocos, parte do Saara, Senegal, Guiné, Costa do Marfim, Daomé (atual Benin), Gabão, Mali, Congo, Níger, Chade, Madagáscar (trocada com o Reino Unido por Zanzibar, atual Tanzânia) e Dijbuti.
Reino Unido: Egito, Gâmbia, Serra Leoa, Costa do Ouro (atual  Gana), Nigéria, Rodésia (atuais Zâmbia e Zimbabwe), Quênia, Somália, Maurício, Uganda, Zanzibar (atual Tanzânia), Nassalândia (atual Malaw), União Sul-Africana, incluindo a antiga Colônia do Cabo e as ex –repúblicas Bôeres de Natal, Orange e Transvaal,  África do Sul, a atual Botswana, Basutolândia (atual Lesoto) e Suazilândia.
Alemanha: Togo, Camarões, Tanganica, Ruanda, Burundi e Namíbia.
Itália: Eritréia, Somália e o litoral da Líbia.
Portugal e Espanha mantêm as antigas colônias, conquistadas no período da expansão marítima. A Espanha fica com parte do Marrocos, Ilhas Canárias, Ceuta, Saara Ocidental e Guiné – Equatorial. Portugal continua em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné – Bissau e Moçambique.
As terras africanas assim ocupadas passam a demonstrar grande resistência após a partilha mas acabam sendo vencidas pela grande capacidade de manipulação européia. A ocidentalização do mundo africano arrasa com suas estruturas tradicionais, deixando um rastro de miséria e, acima de tudo, a perda da identidade cultural da raça.(http://portuguesaafrica.com/o_neocolonialismo_e_a_partilha_da_africa.htm)

 Ivanilce Mara Furlanetto.



NOVO COLONIALISMO

                                   

Com o crescimento da demanda mundial por petróleo e minérios nos últimos anos, ampliou-se a cobiça global pelos recursos naturais africanos. O atual modelo econômico e alvo de comparações com o processo de colonização pelo qual o continente passou nos século XIX e XX. Sem tecnologia, financiamento nem mão de obra especializada suficiente para explorar suas riquezas, os países africanos ficam dependentes de empresas e governos estrangeiros para realizar o serviço.
Essa espécie de novo colonialismo acaba perpetuando um modelo extrativista em que os africanos tem pouca autonomia nos rumo  de sua economia. Atualmente, cresce a presença de China na África, sua estratégia tem como principal objetivo ampliar seu acesso aos recursos energéticos da região, pois cerca de um terço das atuais importações chinesas de petróleo vem da África.
Essa nova onda de exploração de minérios e fontes de energia é um dos componente que ajudam a explicar o recente crescimento economico no continente. Nos últimos anos, muitos países passaram por processo de democratização, contribuindo para criar um ambiente de maior estabilidade política.
O crescimento africano é sustentado principalmente por países exportadores de petróleo e de minérios estratégicos como Angola, Camarões, Nigéria, Sudão e outros. O ruim é que há também da desigualdade de renda nesses países. Angola, por exemplo, é o maior produtor de petróleo do continente, e boa parte de sua população depende de ajuda humanitária para comer.
A fragilidade das instituições e a corrupção ajudam a perpetuar a desigualdade social. Segundo a ONG Transparência Internacional, os países que mais produzem petróleo no continente estão entre os trinta mais corruptos do planeta.
Entre os grandes desafios da África, o maior talvez seja traduzir esse progresso econômico em benefícios socias para toda a população.

Texto digitado por: Rosilene Fátima

O SER HUMANO SURGIU NA ÁFRICA

A África é o berço da humanidade, segundo as evidências científicas existentes hoje em dia sobre a origem dos seres humanos. Acredita-se que o primeiro ancestral do homem tenha vivido há cerca de 4,4 milhões de anos na região que hoje corresponde à Etiópia. Em 2009, a revelação dos esqueletos de uma fêmea da espécie Ardipithecus ramidus reforçou ainda mais essa tese. "Ardi", como foi batizada, é o fóssil mais antigo de um hominídeo de que se tem notícia.
Já o Homo sapiens, espécie à qual pertencemos, surgiu entre 210 mile 150 mil anos atrás. De acordo com um estudo da Universidade da Pensilvânia divulgado no ano passado, os primeiros seres humanos modernos viveram na regiâo que se situa na fronteira entre Angola e Namíbia. Há 50 mil anos, o homem teria deixado a África, cruzando o mar Mediterrâneo em direção à Asia, e,  dali, partido para outras partes do mundo.

Texto escrito por : Rosilene Fátima

sexta-feira, 27 de maio de 2011

CONTINENTE AFRICANO E O IMPERIALISMO

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Cenas do filme Diamantes de Sangue, retratam a realidade imperialista neste Continente
POSTADO POR: MARIA TERESA SALUSTIANO E SILVA