quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Notícia sobre a Somália





Até metade da ajuda alimentar enviada à Somália é desviada das pessoas que necessitam dela para uma rede de intermediários corruptos, militantes radicais islâmicos e funcionários locais da ONU, segundo um novo relatório do Conselho de Segurança.
O relatório, que ainda não foi divulgado, mas que foi mostrado ao “New York Times”, traça uma série de problemas tão graves que ele recomenda ao secretário-geral Ban Ki-moon a abertura de uma investigação independente do Programa Mundial de Alimentos de lá. Ele sugere que o programa reconstrua o sistema de distribuição de alimentos –que atende pelo menos 2,5 milhões de pessoas– a partir da estaca zero para quebrar o que descreve como um cartel corrupto de distribuidores somalis.
Além do desvio da ajuda alimentar, as autoridades regionais somalis estão colaborando com os piratas que sequestram navios ao longo da costa sem lei, diz o relatório, e os ministros do governo somali leiloaram vistos diplomáticos para viagens à Europa para quem desse o maior lance, alguns deles podendo ser piratas ou insurgentes.
via: New York Times

Acesso em 11/08/2011

http://www.geomundi.org/?p=1696

Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira



sábado, 11 de junho de 2011

Fotos: Angola

                             
País: Angola   Cidade/Região: Arredores de Luanda  2003
                             Imbondeiro (Baobá)



  País: Angola   Cidade/Região: Arredores de Luanda  2003

                              Miradouro da Lua 


http://www.casadasafricas.org.br/banco_de_imagens/zoom//pais/Angola/2143
Acesso: 11/06/2011


Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira




 

O neo-colonialismo em África.


Kwame Nkrumah

1O maior perigo que a África enfrenta actualmente é o neo-colonialismo, cujo principal instrumento é a balcanização. Este termo define de modo particularmente correcto a fragmentação da África em estados pequenos e fracos; foi inventado para designar a política das grandes potências que dividiram a parte europeia do antigo Império Turco e criaram na península balcânica vários Estados dependentes e rivais entre si. O resultado desta política foi criar um barril de pólvora que qualquer faísca podia fazer explodir. De facto, a explosão produziu-se em 1914, com o assassinato do arquiduque austríaco em Sarajevo. Como os países balcânicos estavam estreitamente ligados às grandes potências e às suas rivalidades, o assassinato teve como consequência a primeira guerra mundial, a maior desencadeada até então.

Uma guerra mundial poderia também rebentar facilmente no nosso continente, se os estados africanos realizassem alianças políticas, económicas ou militares com potências exteriores seus rivais. Vários comentadores políticos têm afirmado que a África se tornou o novo e vasto campo de batalha da guerra fria.
À medida que a luta nacionalista se intensifica nos países colonizados e a independência surge no horizonte, as potências imperialistas, pescando nas águas turvas do tribalismo e dos interesses particulares, tentam criar cisões na frente nacionalista para conseguir a sua fragmentação. A Irlanda e a Índia são exemplos clássicos. Os Franceses desmembraram a Federação da África Ocidental e a da África Equatorial. A Nigéria foi dividida em regiões, prevendo-se novas separações. O Ruanda-Burundi foi fragmentado com a independência. No Gana, como não conseguiram dividir-nos antes da independência, os ingleses impuseram-nos uma constituição destinada a provocar a desintegração da nossa unidade nacional. O Congo, declarado independente com um apressado e malicioso calculismo, tornou-se imediatamente o campo de batalha da divisão fomentada pelos imperialistas.



 Tudo isto faz parte da política de balcanização intencional, com o qual o neo-colonialismo procura manipular a África; de facto, esta política pode ser mais perigosa para a nossa legitima aspiração à independência económica e política que um controle político directo. Lenine, por exemplo, afirma:
Portugal apresenta uma forma de dependência financeira e diplomática acompanhada de independência política. Portugal é um Estado independente e soberano, mas, na realidade, há mais de dois séculos (desde a guerra da Sucessão de Espanha de 1701 a 1714) que é um protectorado inglês. A Grã-Bretanha protegeu Portugal e as suas colónias visando fortalecer as suas próprias posições na luta contra os seus rivais: a Espanha e a França. Recebeu em troca vantagens comerciais, condições preferenciais para as suas exportações de mercadorias e, sobretudo, de capitais, para Portugal e para as suas colónias, o direito de utilizar os portos e as ilhas de Portugal, os seus cabos telegráficos, etc.. etc.2

A forma que o neo-colonialismo apresenta hoje em África reveste-se de alguns destes traços. Actua encoberto, manobrando homens e governos, liberto do estigma da dominação política. Cria Estados-clientes, que são independentes no papel mas que, na realidade, continuam a ser dominados pela própria potência colonial que supostamente lhes deu a independência. É uma das “diversas espécies de países independentes que, no plano político, gozam de uma independência formal, mas que, de facto, estão encurralados na rede da dependência financeira e diplomática”3. As potências europeias impõem certos pactos aos países balcanizados, assegurando o controle da sua política externa. Frequentemente, estes Estados garantem-lhes também bases militares permanentes no seu território. A independência destes Estados é apenas nominal; na verdade, perderam a sua liberdade de acção.
A França nunca pensou em conceder a independência às suas colónias; manteve-as sempre ciosamente guardadas. Quando se tornou evidente que já não era possível continuar a privá-las da soberania nacional, o terreno estava já preparado para manter os jovens Estados independentes na órbita da França. Continuariam a ser fornecedores de matérias-primas baratas e de alimentos tropicais, servindo simultaneamente de mercados reservados para os produtos franceses.
Pouco depois da segunda guerra mundial, a França criou dois organismos financeiros para “auxílio ao desenvolvimento económico” dos seus territórios ultramarinos: o F. I. D. E. S. (Fonds d’ Investissement et de Developpement Économique et Sócial) e a C. C. O. M. (Caisse Centrale de la France d’ Outre-Mer).
As subvenções da C. C. O. M. eram concedidas às antigas colónias francesas para ajudar a suportar as despesas com a administração pública e a manutenção de forças francesas nos seus territórios. O investimento no sector do desenvolvimento económico e social destes territórios era em larga medida um eufemismo, destinado a fazer entrar fundos nas ex-colónias para os fazer voltar à França. Calculou-se que 80% desses “investimentos” voltavam à França sob a forma de pagamento de materiais, serviços, comissões, juros bancários do pessoal francês. Os projectos empreendidos relacionavam-se principalmente com os serviços públicos e a agricultura. Eram terrivelmente inadaptados e mal concebidos, sem consideração pela situação e pelas necessidades locais. Não se procurou lançar as bases de um desenvolvimento industrial ou de uma diversificação da agricultura. O F. I. D. E. S. e a C. C. O. M. deram lugar ao F. A. C. (Fonds d’ Aide et de Cooperation) e à C. C. C. E. (Caisse Centrale de Coopération Économique). Mas estas novas instituições têm exactamente as mesmas funções que as suas predecessoras. O investimento continua a apoiar a produção de culturas exportáveis e as empresas francesas ou firmas que se abastecem de produtos franceses. Os banqueiros e os grandes interesses financeiros franceses, ligados aos maiores transformadores de matérias-primas, são encorajados a intensificar a exploração de minérios nas ex-colónias para os exportar na sua forma bruta.


Assim, embora nominalmente independentes, estes países continuam a viver na relação clássica da colónia com o seu “patrão” metropolitano, isto é, a produzir matérias-primas e a servir-lhe de mercado exclusivo. A única diferença é que agora essa relação está encoberta por uma aparência de ajuda e solicitude, uma das formas mais subtis do neo-colonialismo. Como a França considera que só se poderá desenvolver perpetuando a sua relação actual com os países subdesenvolvidos que se mantêm na sua órbita, isto significa que o fosso entre aquela e estes se irá alargando. Para que este possa vir a ser diminuído, ou mesmo anulado, será necessário renunciar completamente à actual relação de patrão a cliente.

(…)

http://www.buala.org/pt/mukanda/o-neo-colonialismo-em-africa
Acesso: 11/06/2011

Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira

Um terço da energia já vem de países africanos

16.02.2011    O Estado de S.Paulo

Jamil Chade


Indústrias da Europa temem perda de fornecedores e Departamento de Estado dos Estados Unidos fala em 'tsunami' chinês no Continente

Há poucos meses, líderes europeus receberam uma carta alarmante do setor industrial da Alemanha, França e Reino Unido. Se a Europa não mudasse de estratégia e desse maior atenção à África, o futuro da indústria do Velho Continente estaria ameaçado.

O motivo era simples: a China havia comprado grande número de jazidas de minérios, fonte de energias e recursos naturais na África, em um avanço que não dá sinais de ser freado e com um apetite que parece ser insaciável. Hoje, um terço do abastecimento de energia da China já vem do continente africano.

Pelos cálculos de Pequim, para avançar a China precisa ter o abastecimento de suas necessidades equacionado. O país foi responsável por mais de 50% do aumento no consumo mundial de metais para a indústria entre 2002 e 2005. A produção de aço na China passou de 66 milhões de toneladas para 500 bilhões de toneladas entre 1990 e 2008.

O resultado da entrada desse novo ator foi a explosão nos preços de commodities, que tiveram alta de 159% em seus preços entre 2002 e 2008, segundo o Parlamento Europeu. Nos últimos cinco anos, a China iniciou um safari pela África em busca de acesso às matérias-primas e petróleo. Vários acordos foram fechados nos últimos anos, com exploração de cobre na Zâmbia, cobalto na República Democrática do Congo, ferro na África do Sul e Platinum em Zimbábue.

Em poucos anos, a China se estabeleceu como um dos principais atores na exploração de minérios e outros recursos na África. Na Zâmbia, onde o cobre representa mais da metade das exportações nacionais, Pequim se comprometeu a adquirir quase a totalidade da produção.

A China precisa do cobre para garantir a expansão de sua indústria, principalmente em cabos, no setor automotivo, circuitos integrados e construção. Em 2004, a China já era o segundo maior importador de cobre do planeta. Hoje, consome 25% de tudo o que é vendido.

No Sudão, Pequim já investiu US$ 4 bilhões para a produção de petróleo, desenvolvimento de portos e dutos, tudo com um financiamento estatal.

Em Angola, a China ofereceu um empréstimo de US$ 2 bilhões ao governo de Luanda. Em troca, recebeu a grande parte dos contratos de exploração de blocos de reservas. Cinco anos mais tarde, Angola garante o abastecimento de 500 mil barris de petróleo por dia para a China, um quinto de toda a produção brasileira.

Em apenas cinco anos, a Angola superou a Arábia Saudita e o Irã como maior fornecedor de energia para a economia chinesa, um papel central que jamais teve para a economia portuguesa. O Golfo da Guiné é o próximo passo do avanço chinês em busca de petróleo. A região teria reservas de 110 bilhões de barris e Pequim não economizará em conquistar a região.

Metade da madeira que se corta por ano no Gabão e 60% das toras na Guiné Equatorial vão para a China, ajudando Pequim a se transformar, em 2010, no maior produtor de móveis do planeta.

Não é por acaso, que, em um recente memorando do Departamento de Estado norte-americano, Washington descreveu a conquista chinesa na África como sendo um "tsunami".

É na própria África que o debate ganha um tom de maior polêmica. O ex-presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, admitiu que o continente deve pensar bem antes de fechar acordos com a China e evitar que se transforme em uma "economia colonial" de Pequim. Até 2020, a projeção é de que a China siga elevando a demanda mundial.
 
http://www.casadasafricas.org.br/noticias/01/1068
Acesso: 11/06/2011

Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira

O tirano que comprou o Ocidente

28.02.2011    El País

Miguel Mora


Até pouco tempo, os líderes mundiais disputavam um encontro com o coronel. A Europa compra 90% de seu petróleo na Líbia e a família Kadafi penetrou no coração das finanças europeias

"Na Itália nos respeitam. Nos Estados Unidos nos respeitam!", bradou o coronel, a cabeça protegida pelo turbante, furioso, erguendo ora o Livro Verde, ora o estojo dos óculos de sol. "Parem de aplaudir e ouçam o que estou falando!"
Seu grito ecoou no espaço vazio das ruínas do palácio-quartel bombardeado pelos EUA, em 1986.
Eram outros tempos: Muamar Kadafi era então o grande fomentador do terrorismo internacional, um pária, o "cachorro louco" de Ronald Reagan. Faz somente dois anos que ele chegou ao topo do G-20 como convidado especial da reunião realizada em L'Aquila (Itália) e os líderes mundiais sorteavam quem teria um encontro de cinco minutos com ele.
Agora, tudo mudou novamente. Nas cidades da Líbia é seu exército quem usa helicópteros, tanques, mísseis, granadas e caças vendidos pelas potências ocidentais para reprimir com sangue e fogo o protesto dos cidadãos que exigem um fim para o regime que dura 41 anos.
Mil mortos, dezenas de milhares de feridos... Ninguém conhece o número exato. Talvez não se saiba durante alguns anos. As milícias de Kadafi apagam as provas do terror e o tirano que expelia ameaças e despautérios para a câmera é hoje um importante agente na cena econômica e financeira internacional.
Um parceiro de peso para muitas empresas e países do Ocidente. Seu principal sócio comercial é a Itália, o segundo é a Alemanha. E mais, a Líbia ocupa o oitavo lugar em reservas de petróleo, com seus intocados 44.300 milhões de barris, e o décimo oitavo em produção, com 1,65 milhões de barris diários.
Kadafi tem razão quando se diz respeitado nos EUA; e na Itália, assim como no Reino Unido, onde investiu em setores como educação, imprensa, futebol e imobiliário. Ou na Espanha, que em 2007 assinou acordos para a venda de armas a Trípoli pelo valor de 1.500 milhões de euros e esperava fechar contratos comerciais no valor de 12.300 milhões de euros, de acordo com um dos telegramas do portal WikiLeaks, enviado pelo embaixador dos EUA em Madrid.
Desde que há seis anos o Governo Bush decidiu condenar o sanguinário Sadam Hussein e tirar Kadafi do ostracismo, esquecendo seus numerosos atos de terror, o ditador líbio usou seu poder absoluto, seus fundos soberanos - o dinheiro líquido procedente dos ganhos com o petróleo - e, em menor escala, suas empresas familiares para investir no Ocidente, reerguer seu país com a ajuda de empresas estrangeiras e ajudar a capitalizar muitas companhias importantes da Europa e dos EUA.

Leia no original a íntegra do artigo em El tirano que compró a Occidente

http://www.casadasafricas.org.br/noticias/01/1077
Acesso: 11/06/2011

Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira

'O desenvolvimento nos trouxe a fragmentação do tempo, a anulação da história...

05.02.2010    Africaneando/Oozebap

Achille Mbembe

http://africaneando.org/esp/articles/main/zlq1264336800/

A maioria das agências humanitárias ocidentais têm uma noção simplista do que significa "África" e do que é o "desenvolvimento". Não são conscientes, ou ignoram tudo o que gerou a crítica recente do desenvolvimento, enquanto ideologia e prática, e agem como se essa crítica nunca tivesse sido formulada.

O fato é que no terreno, onde muitos de nós vivem e trabalham, o paradigma do "desenvolvimento" morreu. Isto pode ser constatado a cada dia na prática e nas ações das pessoas comuns. Mas a "máquina desenvolvimentista" continua viva, pagando generosamente a especialistas, intermediários e consultores, gastando copiosas indenizações aos seus clientes locais, seus auxiliares e agentes. A "máquina desenvolvimentista" continua funcionando em vão, o que é ainda mais preocupante já que este vácuo produz esbanjamentos consideráveis.
Além disso, a maioria das agências doadoras ocidentais consideram agora a África como uma zona de emergência, um terreno fértil para as intervenções humanitárias. O futuro não faz parte de sua teoria sobre a África (nas escassas exceções onde esta teoria existe). Para estas agências, a África não é apenas uma terra de empirismo, mas também uma terra enraizada no eterno presente, no acúmulo em série de "instantes" que nunca atingem a densidade e peso do tempo humano, histórico. É um lugar onde o "aqui e agora" é mais importante do que o amanhã, para não falar de um tempo distante no futuro ou da esperança.
Foi isso que nos legou a natureza temporária do 'desenvolvimento': a fragmentação do tempo, a anulação da história, enquanto futuro e nossa prisão mental em um tipo de restrição baseada no imediatismo e no niilismo sem fim. Este impulso caótico e agressivo também é particularmente inquietante.

[...] Detesto a idéia que faz da vida na África um simples desapego: o de um estômago vazio e um corpo nu à espera de ser alimentado, vestido, curado ou alojado. É um conceito arraigado na ideologia e na prática do "desenvolvimento" e que vai totalmente ao encontro da experiência pessoal cotidiana das pessoas com o mundo imaterial do espírito, especialmente quando se manifesta em condições de precariedade extrema e de uma insegurança radical.
Este tipo de violência metafísica e ontológica tem sido durante muito tempo um aspecto fundamental da ficção do desenvolvimento que o Ocidente tenta impor àqueles que colonizou. Devemos nos opor e resistir a formas tão hipócritas e desumanizadas.

[...] Quando eu era diretor executivo do Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais em África (CODESRIA), eu tinha de manter relações com os fornecedores de fundos públicos na França, Japão, Holanda, agências das Nações Unidas e, especialmente, com os países nórdicos. O relacionamento dependia do calibre intelectual e diplomático das pessoas com que fazia contato. As reuniões mais criativas aconteceram com aqueles que acreditavam que o destino da África estava ligado inevitavelmente com o do resto do mundo. Eles concordavam que uma intervenção criativa e eficaz no continente passava por um conhecimento sério, prolongado e detalhado do país, assim como pela análise e espírito crítico. Com interlocutores assim, frequentemente conseguimos programas criativos e inovadores.

Deixando de lado esses casos, o cenário geral era deprimente. Estávamos constantemente a ter de lidar com burocratas cínicos, pessoas que odiavam profundamente a África, mas que se tornaram dependentes, até tirar proveito de seus prazeres perversos. Custava-lhes livrar-se dessa dependência, e interagiam com o continente do mesmo modo que as pessoas presas em uma relação abusiva. Nem eles acreditavam no catecismo do "desenvolvimento" que pregavam. Eu vivi algumas dessas reuniões como uma primeira visita a um manicômio, frente a pessoas que haviam fracassado ou que nunca poderiam fazer uma carreira honrosa fora da África. Não precisavam de pensar, porque para eles a África era simples. Na verdade, se mostravam muito hostls a qualquer coisa que se assemelhasse a uma idéia.

Ainda mais desconcertante era o pressuposto implícito, particularmente nos países do norte, de que os africanos poderiam expressar-se apenas como vítimas. Ao manifestar a sua solidariedade peos conflitos na África, muitos países ocidentais, infelizmente, perpetraram essa sensibilidade vitimista que alguns intelectuais e políticos africanos propagam desde sempre, embora tentando disfarçá-la com uma aparência anti-imperialista.

Por exemplo, têm tolerado a mediocridade e apoiado, no discurso sobre ciências sociais africanas, a predominância fatal do populismo e do radicalismo. Gastaram (acho que eles ainda estão fazendo isso), milhões de dólares por ano para manter enormes organizações administrativas ineficazes, que deveriam ter sido fechadas há muito tempo e nas quais um número incalculável de intermediários se beneficiam da imunidade diplomática e ganham um salário equivalente àqueles que trabalham para as estruturas das Nações Unidas. Esta forma de paternalismo condescendente tem, é claro, raízes muito consistentes no racismo.

Tradução Casa das Áfricas (a partir do espanhol em Oozebap)
Estas reflexões fazem parte de uma entrevista mais extensa realizada a Achille Mbembe por Vivian Paulissen e publicada no Africultures (2 de Dezembro de 2009) sob o título "Art contemporain d'Afrique : négocier les conditions de la reconnaissance”. Disponível em Africultures.

´http://www.casadasafricas.org.br/noticias/01/918
Acesso: 11/06/2011

Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira

Moçambique: Vendem-se mortos e vivos .

Cristiana Pereira

http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=11803100&canal=801


Apesar de abolida em 1836, a escravatura persiste nas sociedades contemporâneas sob formas cruéis de exploração. Hoje chamam-lhe tráfico de pessoas e é um lucrativo negócio que movimenta anualmente até 32 mil milhões (bilhões) de dólares - o mais rentável a seguir à droga e às armas.
Fronteira de Ressano Garcia, 13 horas e 37 minutos. Um sorriso expectante ilumina-lhe o rosto inocente. De bebé às costas, a jovem mãe mira ansiosamente o buraco rompido na vedação de arame farpado. Do lado de lá reside a miragem sul-africana, o topo da pirâmide invertida que compõe a geografia do continente mais pobre do mundo. Ao lado dela, o oportunista a quem apelidam de «mareyane» varre as redondezas com o olhar, procurando sinais de patrulha. Do outro lado é melhor?, perguntamos.
Sem hesitação, ela acena que sim. Não lhe incomodam as perguntas nem a proximidade da lente fotográfica. O facilitador explica que recebeu 200 randes (cerca de 30 dólares) pelo serviço de travessia. Domingo, acrescenta ele, é o melhor dia; há muitos a querer atravessar. Logo a conversa é interrompida, cada minuto vale. Momentos depois, desaparecem do lado de lá da fronteira. Nem mãe nem filho adivinham o destino que lhes reserva a terra dos «joni».
A África do Sul é a maior economia de África, tendo integrado em dezembro do ano passado o cobiçado lote dos BRIC, que aglomera os gigantes demográficos do Brasil, Rússia, Índia e China. Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional, prevê-se que até 2014 o bloco dos mercados emergentes represente 61% da economia global. Com quase 50 milhões de habitantes (mais do dobro da população de Moçambique), o mais recente parceiro no grupo é a 26.ª economia do mundo, com um Produto Interno Bruto de 527,5 mil milhões de dólares - mais de 50 vezes o de Moçambique. O rendimento per capita ultrapassa os 2500 dólares, comparado com 370 em Moçambique. Do lado de cá, mais de metade da população vive abaixo do limiar da pobreza e a esperança de vida ronda os 40 anos de idade.
Este retrato macroeconómico ajuda a compreender o magnetismo da África do Sul para os fluxos migratórios, legais ou ilegais, voluntários ou forçados, no continente africano. Estima-se que a cada dez minutos entre um clandestino no país. Ao todo, serão cerca de cinco milhões de ilegais, o equivalente a 1% da população.
Leia na íntegra a reportagem de Cristiana Pereira, na edição de abril da África21

http://www.casadasafricas.org.br/noticias/01/1095
Acesso: 11/06/2011

Postado por Marta Aparecida da Silva Teixeira

quinta-feira, 9 de junho de 2011

ÁFRICA SUBSAARIANA: a última fronteira do capitalismo

 Última região a ser integrada ao sistema capitalis­ta, a porção subsaariana do continente africano, está sendo disputada pelas grandes potências mundiais e por potências médias para atender aos mais diferentes interesses. Ainda sobre as ruínas do neocolonialismo e suas consequências trágicas culturais e econômicas, este espaço não apresentou um processo evolutivo do capitalismo devido a sua proximidade com a Europa e sua expansão nos primeiros passos da mundializa­ção capitalista do século XV. A África subsaariana é o novo e último espaço para o capitalismo alcançar sua universalidade e, consequentemente, estabelecer sua dominação generalizada pelo planeta e de fato chegar ao chamado “fim da história”. (FUKUYAMA,1989) Nesse caso, considerando a China como um caso peculiar a ser estudado. Nesta “nova” arena os principais países do sistema mundial e alguns países de segundo escalão estão colocando em ação suas geopolíticas “soft power”, em geral, para atingir as maiores vantagens comparativas possíveis.
Desde o final do século XX e este início do XXI, o panorama subsaariano vem apresentando atrativos na esfera econômica, que atiçam a cobiça das potências mundiais e suas empresas, que acabam contribuindo para a manutenção de um espaço desarticulado e um Estado decadente, incapaz de garantir suas premissas sócio-econômicas devido à cobiça que promove nas classes dominantes cooptadas locais. Com isso, os países subsaarianos tornam-se presas fáceis dos diversos interesses dispostos nas diversas esferas da vida dos países, que não adotam nenhum critério seletivo nas parcerias propostas e as possibilidades de consolidação das suas estruturas ficam comprometidas. Essa falta de objetivos é, possivelmente um ranço do colonialismo e suas artificialidades políticas e sociais, como também da Guerra Frias e suas influências nefastas para a formação da jovem região independente.
Após o fim da Guerra Fria, as potências centrais e algumas potências médias, entre elas o Brasil, volta­ram seus interesses para o último (além da Antártica que, por força de suas condições naturais e do Tratado Antártico, continua preservada) espaço mundial ainda não totalmente inserido na dinâmica da globaliza­ção – a África Subsaariana com sua diversidade a ser explorada pela lógica neoliberal. Lógica essa que trás em seu bojo uma gama de práticas que seduzem as classes dominantes e médias de países que procura­ram a modernização de suas sociedades, com a idéia de acesso fácil às inovações tecnológicas ao custo de uma flexibilização econômica e política em prol do capital internacional. (CARVALHO. 2002)
Na década de 1990, surgiu uma concepção po­lítica abrangente entre as grandes potências (como também na ONU) de que o engajamento delas se fazia necessário para garantir um futuro mais promissor para a África Subsaariana. Europeus e norte-america­nos lançaram propostas assistencialistas para a região, no intuito de remediar a tragédia subsaariana com a canalização de recursos dos países ricos, a fim de modernizar o sistema de produção dos países mais carentes, tendo por base a criação de um sistema eficiente de produção em alguns setores primordiais da economia da região. Porém essas iniciativas, retó­ricas ou não, foram paulatinamente superadas pelos interesses econômicos imperialistas de um capitalismo globalizante e pelas dificuldades endógenas que a região subsaariana apresentava. (PIMENTEL. 2000) Na intersecção dessas duas variáveis, a região subsaariana tornou a agonizar, em virtude do recrudescimento da violência de diferentes naturezas e das epidemias que se alastraram num meio historicamente carente, provocando um enorme sofrimento da população. Os conflitos anteriores, alimentados pela Guerra Fria, continuaram devido à marginalização estratégica da região no período subseqüente e também devido aos paradigmas coloniais que subsistiram.
Passado esse hiato do pós-Guerra Fria, novas geopolíticas nacionais estão materializando inte­resses distintos, num espaço de grande diversidade e com traços colonialistas que se imbricam à nova realidade do continente, quase cinquenta anos após o processo de independência. As potências usam di­ferentes práticas de penetração política e econômica e se sobrepõem às políticas locais e aos interesses do principal país da região, a África do Sul. Contu­do, todos enfrentam os paradoxos de uma região com uma história que penetra na antiguidade, cujos valores culturais perpassaram pelo colonialismo eu­ropeu e por suas conseqüências e são vivificados na atualidade. Soma-se a isso, por um lado, a presença dos países ocidentais e seus paradigmas, constituindo ideais de legitimação civilizacional, que entram nesse jogo geopolítico de acumulação de poder na porção subsaariana da África. Por outro, as potências orien­tais legitimadas por diferentes valores, mas atuando com os mesmos objetivos na busca de vantagens comparativas. (FIORI, 2007)
O caráter destoante da política externa brasileira no sentido da autonomia subsaariana com uma ge­opolítica humanista, segundo o discurso das autori­dades políticas, corrobora a idéia da universalização capitalista e seu aparato legal e confirma a ação do país de alinhamento ideológico com os países que comandam o sistema mundial. O Brasil atua no sentido de colaborar com as potências mundiais e médias interessadas na região subsaariana usando as opções disponíveis no sistema mundial para países classificados como potências médias, procurando contrabalançar uma ação humanitária na África, com a participação nos fóruns liderados pelos países ricos. O que segundo Andrew Hurrell (2009), leva o Brasil a praticar o “bandwagoning” (indica o ato de aliar-se com as potências mundiais e agir livremente no cenário internacional servindo às finalidades de longo prazo a essas potências. O termo foi originalmente usado pelo cientista político Stephen Van Evera.), uma vez que contribui para uma organização do espaço subsaariano, que pode vir a ser mais útil ao sistema capitalista, contudo correndo o risco de latinizar economicamente a região subsaariana.
Dessa forma, as perspectiva para a África subsaariana podem ser positivas no sentido da sua organização do espaço e da consolidação do Estado, porém, numa projeção mais de longo prazo, o que se observa é uma continuidade das práticas já desenvolvidas pelas economias mais desenvolvidas em estruturas mais adequadas ao capitalismo. Os anseios subsaarianos parecem não ser considerado na suas diversidades, o ‘etnocentrismo’ capitalista não levam em conta as questões endógenas das populações locais, como fez com a América Latina. O Brasil precisa repensar sua geopolítica subsaariana, no sentido de reforçar as estruturas que garantam uma autonomia para os países, de forma que suas escolhas tenham espaço de manifestação interna e externa. Se de fato o país possui o compromisso declarado pelo governo de Lula e que ela se transforme numa política de Estado.

Bibliografia
CARVALHO, Leonardo Arquimimo. Geopolítica e Relações Internacionais. Curitiba. Juruá Editora. 2002.
FIORI, José Luís. O Poder Global. São Paulo. Editora Boitempo. 2007.
FUKUYAMA, Francis. The end of history. EUA The national interest. 1989.
HURRELL, Andrew. LIMA, Maria Regina S. HIRST, Monica. MACFARLANE, Neil. NARLIKAR, Amrita. FOOT, Rosemary. Os BRICs e a Ordem Global. Rio de Janeiro. Editora FGV. 2009.
        PIMENTEL, José Vicente de Sá. Relações entre o Brasil e a África. Brasília. RBPI vol 43,        número 001 p.05-23. 2000
Postado por: Maria Teresa S. e Silva

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ÁFRICA RECEBE INVESTIMENTOS DA CHINA

Na reunião realizada em Pequim em novembro de 2006, o Premier Wen Jiabao propôs que a China e a África aumentem a cooperação e comércio para atingir o valor de US$ 100 bilhões até 2010. A previsão é mais que o dobro do valor alcançado em 2005, que foi de US$ 39 bilhões. O comércio entre a China e a África quadruplicou desde 1990. De acordo com Smith (2006), a China é o terceiro maior parceiro comercial da África após os Estados Unidos e a França, e o segundo maior exportador para a África depois da França. No encontro denominado Fórum de Cooperação China-África o Presidente Hu Jintao, reunido com líderes de Serra Leoa, Ruwanda, Gana e Congo prometeu ajuda aos países da África Ocidental.
Na Etiópia, a China está envolvida na construção da maior represa do Continente Africano. As obras da represa do Rio Tekeze começaram em 2002 ao custo estimado de US$ 224 milhões. O projeto hidroelétrico deve estar pronto em 2007 a um custo aproximado de US$ 350 milhões.
Além de produzir energia elétrica o projeto servirá para a agricultura, inclusive para as áreas de cultivo de café. O governo da Etiópia, entusiasmado com a possibilidade de explorar o potencial hidroelétrico, já pensa em construir outras represas e transformar o país em exportador de energia elétrica, particularmente para os países vizinhos de Djibuti, Quênia e Sudão (Ford 2006). Cerca de 85% da água do Rio Nilo, no Egito, é procedente das regiões montanhosas da Etiópia.
Na Nigéria, a China prevê o lançamento de um satélite comercial de comunicação em 2007. Por meio de linha de crédito especial de US$ 200 milhões, a China assumiu o projeto para desenvolver, fabricar, lançar e manter o satélite. Com estação de controle na capital nigeriana de Abuja, a China oferece ainda apoio técnico e treinamento profissional. A visão é contribuir para que a Nigéria transforme sua economia dependente da comercialização de petróleo para economia com base em conhecimento tecnológico. Com o governo de Uganda a China está cooperando nas áreas de agricultura, têxtil, infraestrutura, prestação de serviço médico e equipamentos, além de educação e tecnologia. O fortalecimento dos laços de cooperação aconteceu a partir de agosto de 2006 em Kampala, durante visita do
Premier Wen Jiabao, a primeira visita de um líder chinês a Uganda desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas em 1962.
Nos últimos dois anos China e Quênia assinaram pelo menos 12 acordos de cooperação nas áreas de saúde, turismo, esporte, investimento, infraestrutura, energia, tecnologia, educação, arqueologia e imprensa. A China oferece também ajuda financeira para a modernização de instalações governamentais. Em Zimbábue, empresários chineses assinaram contratos nas áreas de transporte, mineração, comunicação e energia.
Desde que a China entrou no Sudão, no final da década de 90, o país passou de importador de petróleo para exportador. Campos de operações petrolíferas foram desenvolvidos e refinarias construídas. Uma das conseqüências da política da China de cooperação baseada no princípio de não interferência em assuntos internos é que a crise humana em Darfur, no Sudão, continua sem solução devido à incapacidade da comunidade internacional de agir contra o governo local.
A China está presente no Congo através de investimentos na indústria de extração de cobalto, cobre e melhorias na infraestrutura da malha rodoviária para facilitar a exportação. Angola superou este ano a Arábia Saudita como o principal fornecedor de petróleo para a China; o governo chinês abriu linha de crédito para o reparo de infraestruturas angolanas danificadas durante o longo período de guerra civil. Luanda também está sendo agraciada com linha de crédito.
Além dos benefícios nas áreas de construção de infraestrutura, agricultura, piscicultura, comércio, e desenvolvimento de recursos humanos a China tem participado ainda com o envio de tropas para missões de paz das Nações Unidas em várias partes da África, inclusive no Congo e na Libéria (Roughneen 2006).
Através da diplomacia de educação, com a construção de escolas, intercâmbio escolar, treinamento profissional, transferência de tecnologia, comércio, fornecimento de medicamentos, médicos e programas de tratamento de doenças infecciosas e tropicais (Thompson 2005), a China vem consolidando sua presença no Continente Africano, embora as relações entre Pequim e a África datam de pelo menos meio século.
A África teve crescimento econômico de 5.2 por cento em 2005, sendo o maior desenvolvimento já registrado. O Banco Mundial (Bird), em seu relatório anual de 2005, registrou transformação no Continente Africano, principalmente melhoria nas áreas de educação, saúde, comércio, e redução no número de conflitos. Analistas indicam que as construções de escolas, pontes, estradas e represas por empresas chinesas estão contribuindo para a transformação do Continente.
Postado por Maria Teresa S. e Silva

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A África que nunca vimos, ou que ninguém nos mostra


Postado por Maria Teresa Salustiano e Silva

ÁFRICA: UM CONTINENTE ESQUECIDO E DESCONHECIDO

Documentário que mostra a cultura e a a realidade do Continente Africano segundo entrevistados: Joakim Kamau  e John Mugambi - ambos do Quênia.


Postado por Maria Teresa Salustiano e Silva

sábado, 4 de junho de 2011

Investidores estrangeiros tomam conta das terras da África.



Governos e fundos de investimentos estão comprando terras agrícolas para o cultivo na África – um negócio lucrativo, levando em conta o crescimento da população global e o aumento rápido dos preços dos alimentos.
A terra é escassa e cara na Europa e nos Estados Unidos. Resolver esse problema significa desenvolver novas terras, que estão disponíveis somente na África, Ásia e America do Sul. A britânica Susan Payne é a diretora executiva do maior fundo de terras no sul da África, que atualmente inclui 150 mil hectares, principalmente na África do Sul, Zâmbia e Moçambique. O fundo de terras de Payne paga de US$ 350 a US$ 500 por hectare na Zâmbia, cerca de um décimo do preço das terras na Argentina ou nos EUA. A diferença em relação a esse novo colonialismo é que os países estão permitindo prontamente ser conquistados. O primeiro ministro da Etiópia disse que seu governo está “ansioso” para oferecer acesso a centenas de milhares de hectares de terras agrícolas(...)
Der Spiegel, no UOL, 2/8/2009
Ivanilce Mara Furlanetto.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

África : A Descolonização


A descolonização tornou-se possível no após-1945 devido a exaustão em que as antigas potências coloniais se encontraram ao terem-se dilacerado em seis anos de guerra mundial, de 1939 a 1945. Algumas delas, como a Holanda, a Bélgica e a França, foram ocupados pelos nazistas, o que acelerou ainda mais a decomposição dos seus impérios no Terceiro Mundo. A guerra também as fragilizou ideologicamente: como podiam elas manter que a guerra contra Hitler era uma luta universal pela liberdade contra a opressão se mantinham em estatuto colonial milhões de asiáticos e africanos?
Segunda Guerra Mundial se debilitou a mão do opressor colonial, excitou o nacionalismo dos nativos do Terceiro Mundo. Os povos asiáticos e africanos foram assaltados pela impaciência com sua situação jurídica de inferioridade, considerando cada vez mais intolerável o domínio estrangeiro. Os europeus, por outro lado, foram tomados por sentimentos contraditórios de culpa por manterem-nos explorados e sob sua tutela, resultado da influencia das idéias filantrópicas, liberais e socialistas, que remontavam ao século 18. Haviam perdido, depois de terem provocado duas guerras mundiais, toda a superioridade moral que, segundo eles, justificava seu domínio.
Quem por primeiro conseguiu a independência foram os povos da Ásia (começando pela Índia e Paquistão, em 1946). A maré da independência atingiu a África somente em 1956. O primeiro pais do Continente Negro a conseguí-la foi Ghana, em 1957. Em geral podemos separar o processo de descolonização africano em dois tipos. Aquelas regiões que não tinham nenhum produto estratégico (cobre, ouro, diamantes ou petróleo) conseguiram facilmente sua autonomia, obtendo-a por meio da negociação pacífica. E, ao contrário, as que tinham um daqueles produtos, considerados estratégicos pela metrópole, explorados por grandes corporações, a situação foi diferente (caso do petróleo na Argélia e do cobre no Congo belga). Neles os colonialistas resistiram aos movimentos autonomistas, ocorrendo movimentos de guerrilhas para expulsá-los.

Os partidos e movimentos africanos
Apesar da existência de 800 etnias e mais de mil idiomas falados na África, podemos encontrar alguns denominadores comuns entre os partidos e movimentos que lutaram pela descolonização. O primeiro deles é de que todos eles ambicionavam a independência, conquistada tanto pela vertente de radicalismo revolucionário ou através do reformismo moderado, que tanto podia implantar uma republica federativa como uma unitária.
Em geral, os partidos optaram pelo centralismo devido a dificuldade em obter consenso entre tribos rivais. Esse centralismo é geralmente assumido pelo próprio líder da emancipação, (como Nkrumah em Ghana) pelo partido único (ou “partido dominante” como definiu-o Leopold Senghor, do Senegal) ou ainda, por um ditador militar (como Idi Amin Dada em Uganda, ou Sese Seko Mobuto no Zaire). A negritude (movimento encabeçado por Aimé Césaire, um poeta martinicano, e pelo presidente senegalês Leopold Senghor) foi também um ponto em comum, marcadamente entre os países afro-francofônicos, que exaltavam as qualidades metafísicas dos africanos. Finalmente todos manifestavam-se a favor do pan-africanismo como uma aspiração de formar governos “por africanos e para africanos, respeitando as minorias raciais e religiosas”.

Dificuldades africanas
Na medida em que em toda a história da África anterior ao domínio europeu, desconhecia-se a existência de estados-nacionais, segundo a concepção clássica (unidade, homogeneidade e delimitação de território), entende-se a enorme dificuldade encontrada pelas elites africanas em constituí-los em seus países. Existiam anteriormente na África, impérios, dinastias governantes, milhares de pequenos chefes e régulos tribais, mas em nenhuma parte encontrou-se estados-nacionais. O que havia era uma intensa atomização política e social, um facciosismo crônico, resultado da existência de uma infinidade de etnias, de tribos, quase todas inimigas entre si, de grupos lingüísticos diferentes (só no Zaire existem mais de 40), e de incontáveis castas profissionais. O fim da Pax Colonialis, seguida da independência, provocou, em muitos casos, o afloramento de antigos ódios tribais, de velha rivalidades despertadas pela proclamação da independência, provocando violentas guerras civis (como as da Nigéria, do Congo e, mais recentemente, as da Angola, Moçambique, Ruanda, Burundi, Serra Leoa e da Libéria).
Essas lutas geraram uma crônica instabilidade em grande parte do Continente que contribuiu para afastar os investimentos necessários ao seu progresso. Hoje a África, com exceção da África do Sul, Nigéria e o Quênia, encontra-se praticamente abandonada pelos interesse internacionais. Os demais parecem ter mergulhado numa interminável guerra tribal, provocando milhões de foragidos (na África estão 50 % dos refugiados do globo) e um número incalculado de mortos e feridos. É certamente a parte do mundo onde mais guerras são travadas. Como um incêndio na floresta, encerra-se a luta numa região para logo em seguida arder uma mais trágica ainda logo adiante.
De certa forma todos os povos pagam pelos seus defeitos culturais. Neste sentido o arraigado tribalismo africano é o grande impedimento para concretizar a formação de um estado-nacional estável. Enquanto as massas negras não conseguirem superar as rivalidades internas dificilmente poderão formar regimes sólidos, íntegros, que superem a dicotomia entre ditadura ou anarquia tribal. A grande geração que conseguiu a independência, homens como K.Nkrumah, Jomo Kenyatta, Agostinho Neto, Samora Machel, Kenneth Kaunda, Julius Nyerere, Leopold Senghor ou Nelson Mandela estão mortos ou envelheceram. Nenhum dos sucessores desses grandes homens, têm conseguido o respeito da população e o carisma necessário para manter seus respectivos países unidos. Em muitos casos eles foram substituídos por chefes dominados por interesses localistas e familiares, de visão estreita, sem terem o sentido de abrangerem o restante dos seus cidadãos. É hora pois dos líderes africanos pararem de jogar pedras sobre o passado colonial e assumirem a responsabilidade pelo destino dos povos que ajudaram a emancipar.

Principais países, líderes, movimentos
e partidos africanos (*)

PaísLíderMovimento/PartidoData da Independência
AngolaAgostinho NetoMovimento p/libertação de Angola (MPLA)1975
África do SulNelson MandelaAfrican National Congress (ANC)1994
Costa do MarfimPelix Houphouet-BoignyReunião democratica africana1957
GhanaKwame NkrumahConvention Peopel’s Party1957
GuinéSekú TuréPartido Democrático da Guiné (PDG)1958
MadagascarTsiaranaMovimento democrático da renovação malgache1960
MalawiHastings Kamuzu BandaMalawi Congress Party1961
MoçambiqueSamora MachelFrente de libertação de Moçambique(FRELIMO)1975
NigériaBenjamin N. AzikiwéNational Concil of Nigeria and Camerun1960
QuêniaJomo KenyattaMau-mau/ Kenya central association1963
SenegalLeopold SenghorBloque democratique senegalien1948
TanzâniaJulius NyerereTanganica African National Union/Zanzibar1964
ZaireJoseph Kasavubu/Patrice LumumbaMovimento “Abako”1960
ZimbaweRobert MugabeZimbawe African NationalUnion (ZANU)1980

(*) A África independente compõem-se de 48 países


Postado por : Maria Teresa S. e Silva

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Nova África no olhar de Conceição Oliveira

Por: Conceição Oliveira
Durante nossas viagens em vários países africanos nossa equipe entendeu o porquê de o historiador Alberto da Costa e Silva ter definido o Atlântico como ‘um rio’ que separa o Brasil da África. Do lado da ‘outra margem do rio’, seja na costa ocidental africana ou na oriental, encontramos semelhanças entre nós  brasileiros e os inúmeros povos africanos que redescobrimos.
Povos distintos, culturas diversas, convivendo, às vezes, em pequenos espaços geográficos. Eles nos convidam a refletir sobre as micro-nações africanas, muitas delas submetidas a fronteiras arbitrárias impostas pelos europeus.


O óleo que usam para se proteger do sol tinge a pele dessas mulheres de vermelho, característica marcante das mulheres do povo Himba.
Nem sempre o mosaico étnico existente em diferentes países africanos é razão de conflitos. Na Guiné-Bissau, por exemplo, cerca de trinta etnias convivem pacificamente. Em Ruanda, onde o etnicismo foi forjado, a manipulação política de uma falsa etnicidade resultou na morte de um milhão de pessoas. Ao atravessar este ‘rio chamado Atlântico’ descobrimos que nem tudo é conflito étnico.
A África vista como um continente miserável não se sustenta. A República Democrática do Congo é um verdadeiro ‘escândalo geológico’, em Gana o solo fértil atrai gaúchos que estão plantando arroz;  nosso caju que brota por todos os cantos da Guiné-Bissau se tornou o maior produto de exportação daquele país, no Maláui a fome vem sendo combatida com fornecimento de insumos pelo governo aos pequenos agricultores.


Silos onde o arroz produzido por brasileiros é armazenado, interior de Gana.
Os conflitos que vimos de perto — por terras, no Zimbábue ou por riquezas naturais, na República Democrática do Congo — nasceram da disputa pelo controle de riquezas.  E não faltam riquezas naturais no continente africano:  10% das reservas mundiais de petróleo estão espalhadas em vários países da África, 80% do coltan essencial para a produção de celulares, videogames e outros eletrônicos saem do Congo.  Na atualidade, o grande desafio dos africanos é fazer os benefícios dessas inúmeras riquezas chegarem às populações locais.
A África hoje acolhe os chineses. A China importa um terço de todo o petróleo que consome da África. Isso levou a denúncias de um neocolonialismo chinês. Mas não foi bem isso o que descobrimos aos conversar com os africanos. Em Cabo Verde, os chineses erguem represa para armazenar água da chuva num país que não tem rios, trazem produtos baratos, acessíveis para a população em várias partes do continente.


Barragem de Poilão, Ilha de Santiago, Cabo Verde.
Os brasileiros também estão cada vez mais presentes no continente africano. Somos bem-vindos, porque estabelecemos uma relação de parceria com os africanos. Conhecimento e tecnologia brasileira estão contribuindo para potencializar a agricultura africana.
Outro mito desfeito em nossas viagens foi o da África como um continente preso no passado sem acesso à tecnologia. Os celulares estão em todas as regiões do continente. Os quenianos pagam até passagem de ônibus  pelo celular, em Zanzibar a mortalidade materna e a neonatal têm sido reduzidas com o uso da tecnologia celular. Em Cabo Verde o combate à dengue, usando a internet, assim como acesso gratuito à rede nas praças de cada uma das ilhas do arquipélago, mostram que  a modernidade tecnológica é bem-vinda.
Praça na Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde onde o acesso à internet é gratuito.
Ao longo de nossas viagem em quase duas dezenas de países africanos ouvimos escritores, pesquisadores, músicos, intelectuais, trabalhadores e descobrimos inúmeras histórias. Eles nos ensinam que a história do continente africano não pode ser contatada por uma única voz. Elas são múltiplas, por vezes dissonantes. Dentre elas a queniana Wangari Maathai, prêmio Nobel, o artista plástico moçambicano Naguib, o escritor moçambicano Mia Couto.
No Brasil, na outra margem do ‘rio’, o historiador brasileiro Alberto da Costa e Silva, especialista em África, o angolano Carlos Serrano e o congolês, Kabengele Munanga, ambos antropólogos radicados no Brasil, professores da Universidade de São Paulo, a professora Rita de Barros, diretora do Africa Consulting também falam sobre um continente africano que ainda precisa ser redescoberto por nós.

Por Maria Helena Zanon Salvador

Os três grandes lagos no Vale do Rift

Os três grande lagos do vale do Rift
Nelson Oliveira
Quem não ouviu já numa ou noutra conversa sobre ciclídeos os nomes Victoria, Tanganyika ou Malawi? Estes são os famosos três grandes lagos de África e encontram-se situados numa zona denominada por Vale do Rift. Formado acerca de 25 milhões de anos aquando da colisão entre o continente africano e a Eurásia este vale é bastante sinuoso e a sua altura mede-se desde os 400 m abaixo do nível médio do mar até aos 1850 m tendo uma extensão a rondar os 4800 km. Neste complexo de lagos e rios podemos encontrar espécies endémicas de várias famílias para além dos ciclídeos como por exemplo: Clariidae, Claroteidae, Mochokidae, Poecilidae, Mastacembelidae, Centropomidae, Cyprinidae e Clupeidae.
Resumido o Vale do Rift passemos então às suas jóias, os três grandes Lagos.
LAGO VICTORIA:
O Lago Victoria faz fronteira com o Kenya, o Uganda e a Tanzânia. Com uma área de 43178 km quadrados e aproximadamente 400 km no seu ponto mais largo este é o segundo maior lago de água doce do planeta. A sua profundidade média ronda os 35 metros sendo o ponto mais profundo a 76 metros. O Rio Kagera é o maior afluente do Lago Victoria mas muitos outros afluentes existem. O Rio Nilo é o destino final das águas do Victoria. Mais de 3000 ilhas podem ser encontradas no Lago, sendo algumas delas postos turísticos e outras completamente virgens.
Ao longo do tempo o Lago Victoria já secou por três vezes. Estes períodos de seca estão provavelmente relacionados com as épocas glaciares que provocaram um decréscimo abrupto na precipitação. O último período de seca registou-se acerca de 17 300 anos. Passados 2 700 anos o lago viu novamente o seu volume de água aumentar e é desde essa data que os seus ciclídeos endémicos deram início ao seu processo evolutivo até aquilo que são actualmente. Tudo no curto espaço de tempo de apenas 14 700 anos.
Este Lago é, à imagem dos outros dois grandes Lagos do Rift, conhecido pela sua diversidade de peixes da família Cichlidae e em tempos albergou mais de 500 espécies do género Haplochromis. E referimos em tempos porque, infelizmente, a realidade actual é deveras diferente e de certo modo desoladora. Com a introdução da Perca do Nilo (Lates niloticus) por parte dos habitantes locais o panorama modificou-se radicalmente. Foi na década de 50 que se deu esta introdução com o único propósito de proporcionar aos residentes das margens do lago uma nova fonte de alimento. Dado o carácter predatório e o seu tamanho considerável as percas não tiveram grandes dificuldades em extinguir grande parte das espécies endémicas o que tornou o lago num local muito mais pobre em termos de biodiversidade. Mais recentemente foi introduzida também a Tilapia do Nilo (Oreochromis niloticus). Estas agressões, em conjunto com o aumento descontrolado da população nas margens do lago e respectivo impacto negativo (desflorestação por exemplo) têm vindo a matar aos poucos as espécies endémicas do Lago Victoria. Neste momento existem já programas de manutenção de algumas espécies fora do contexto do Lago por forma a que mais tarde possam ser reintroduzidas tentando assim o Homem remediar o mal que tem vindo a fazer ao longo do tempo. Infelizmente muitas das espécies que existiram outrora jamais serão recuperadas.
Estudos científicos levam a crer que todas as espécies endémicas do Victoria têm origem numa única espécie ainda hoje existente que é a Astatotilapia nubile e por essa razão a classificação de ciclideos do Victoria torna-se bastante complicada dado que acabam por de uma ou outra forma estarem relacionados e terem bastantes semelhanças. Uma grande percentagem de espécies está classificada dentro do género Haplochromis, um género demasiado vasto e antigo que acaba por dizer pouco ou nada acerca das espécies que nele se incluem. Como em muitos outros ramos também na taxionomia a evolução não pára e actualmente existem já outros géneros no lago Victoria que nasceram do género Haplochromis, entre eles estão por exemplo os seguintes: Lithochromis, Paralabidochromis, Ptyochromis ou Pundamilia. Existem como é óbvio pontos de contacto entre todas as espécies e o facto de serem todos eles incubadores bucais assim como relativamente agressivos são apenas algumas das marcas que demonstram a origem é comum.
E como um mal nunca vem só até em termos de flora a vida deste “jovem” lago não tem sido fácil. A praga de Jacintos-de-Água (Eichhornia crassipes) que se apoderou do Lago trouxe diversos problemas a nível da qualidade da mesma para consumo e do uso do lago como meio de transporte, entre outros problemas. Felizmente e depois de algumas acções físicas e químicas a praga foi controlada e este é actualmente um mal menor.
Se no Lago Malawi ou no Lago Tanganyika a água é cristalina e permite uma profundidade de visão bastante grande já no Victoria as coisas não são bem assim. Em alguns locais no lago a visibilidade não vai além de pouco mais de um metro. Esta é mais uma das razões para o desaparecimento de algumas espécies e para a hibridação que se crê ser frequente mesmo no Lago. As fêmeas de grande parte das espécies são semelhantes o que as torna alvos apetecíveis por parte dos machos indepentemente da espécie destas. A falta de transparência na água implica dificuldade no estabelecimento de territórios por parte dos machos o que leva a que diversas espécies convivam em pequenas áreas originando cruzamento entre espécies.
No que toca à química da água esta aproxima-se bastante da água que encontramos no Lago Malawi. Alcalina e dura com valores a rondar os 8.5 de pH e dureza na casa dos 8 dH. A temperatura varia ao longo do ano entre 21º e 28º.
LAGO MALAWI:
O Lago Malawi, ou Lago Nyasa (nome dado a um barco da Marinha Portuguesa que esteve no activo aquando da Guerra Colonial), faz também bem parte do TOP10 dos maiores Lagos do planeta estando na nona posição neste ranking. As suas fronteiras são delimitadas pelo Malawi, Moçambique e Tanzânia. Com uma excelente visibilidade dentro de água (o que o torna num excelente local de mergulho e captura de peixes) o Lago Malawi estende-se ao longo de cerca de 600 km de comprimento por 40 km de largura. Em termos de profundidade são medidos em alguns pontos uns impressionantes 700 metros. Não esquecer que estamos a falar de um lago e não de um Oceano.
O Lago Malawi teve como primeiro visitante europeu David Livingstone o que levou a que o Reino Unido reclamasse para si direitos sobre o Lago. Apesar disso Portugal, devido a ter o controlo de Moçambique, tinha o domínio sobre a Costa Este do Lago, tendo sido as ilhas Likoma e Chizumulu colonizadas pelos escoceses.
Com mais de 500 espécies endémicas que não se encontram em qualquer outro local no Mundo este é um ecossistema fantástico onde reina a diversidade biológica. Por comparação podemos afirmar que só esta massa de água perdida no coração de África possui mais espécies do que toda a Europa e América do Norte em conjunto, o que é significativo do valor e importância deste Lago em termos de biodiversidade. Dadas as características dos ciclídeos provenientes do Malawi (cor, comportamento vivo, resistência física, tolerância ao erro do aquariofilista, etc) estes estão muitíssimo disseminados no hobbie sendo um dos grupos mais populares por entre os ciclidófilos.
Dentro da família cichlidae que podemos encontrar no Malawi estes podem ser separados em 2 principais grupos e um deles poderá ainda ser sub-dividido.
Os dois grupos principais são os Mbunas e os Haplochromideos e dentro destes existe ainda uma distinção entre o género Aulonocara (conhecidos por Peacocks) e todos os outros géneros que de uma forma vulgar são denominados por Haps.
Dentro do grupo dos Mbunas temos diversos géneros, a saber: Cynotilapia, Gephyrochromis, Iodotropheus, Labeotropheus, Labidochromis, Melanochromis, Metriaclima, Petrotilapia, Pseudotropheus e Tropheops (não confundir com Tropheus do Lago Tanganyika). Todas estas espécies (ou pelo menos a sua esmagadora maioria salvo raríssimas excepções como o caso dos Pseudotropheus sp. “Acei”) habitam em zonas rochosas e é daqui que nasce o termo “Mbuna” que no dialecto local significa “peixes de rochas”. Tipicamente os Mbunas habitam nas margens do Lago não se aventuram em grandes profundidades. A densidade populacional nas zonas habitadas por Mbunas é muito grande e num mergulho no Lago facilmente se vêm zona bastante concorridas onde diversas espécies coabitam entre si. Em termos de tamanho o grupo dos Mbunas é aquele que contém as espécies mais pequenas (mais uma razão para a sua popularidade no hobbie) quando comparado com os outros grupos de Haplocromideos.
A dieta dos Mbunas não sendo exclusivamente herbívora tem uma grande componente vegetal e este é um cuidado a ser levado em conta aquando da sua manutenção em cativeiro pois os Mbunas que sejam alimentados com excesso de proteína animal tendem a ter uma doença de nome Bloat apoderar-se do seu sistema digestivo levando em muitos casos os indivíduos doentes até à morte.
Em comparação aos Mbunas podemos dizer que os Haps não são agressivos no cômputo geral apesar de serem predadores. No entanto não devemos confundir o facto de um peixe se alimentar de outros peixes com níveis de agressividade. Na grande maioria das espécies de Haplocromideos encontramos um dimorfismo muito marcado visto que os machos são quase sempre maiores que as fêmeas e muitíssimo coloridos ao passo que as fêmeas pecam pela quase total ausência de cor. Dentro deste grupo encontramos os seguintes géneros: Aristochromis, Aulonocara, Buccochromis, Caprichromis, Champsochromis, Chilotilapia, Copadichromis, Cyrtocara, Dimidiochromis, Exochochromi, Fossorochromis, Lethrinops auritus, Lichnochromis, Mylochromis, Nimbochromis, Otopharynx, Placidochromis, Protomelas, Rhamphochromis, Sciaenochromis, Serranochromis, Stigmatochromis, Taeniolethrinops , Tramitichromis, Trematocranus e Tyrannochromis.
As espécies que fazem parte deste grupo ao contrário dos Mbunas gostam de espaços abertos e poucas rochas. Habitam em zonas mais interiores e profundas do lago.
Em termos da química da água temos muitas semelhanças com o Lago Victoria encontrando também no Malawi uma água muito dura e alcalina. A temperatura situa-se entre os 24º e os 30º consoante a época do ano. Estas semelhanças entre os dois lagos são um forte aliado do aquariófilo e saberemos mais à frente neste artigo o porquê disso mesmo.
LAGO TANGANYIKA:
Que melhor cartão de visita para o Lago Tanganyika do que os seus quase 680 km de comprimento que fazem deste lago o mais comprido do Planeta? Atingindo em alguns pontos mais de 1400 metros de profundidade ficamos desde já com uma ideia da grandeza deste maravilhoso ecossistema. Apenas o Lago Victoria é maior em termos de área no que diz respeito ao continente Africano sendo que o Tanganyika se mostra ao longo de 20500 km quadrados. As suas fronteiras estão limitadas pela Tanzânia, pela Republica Democrática do Congo e ainda pela Zâmbia. O Lago Tanganyika drena as suas águas através do Rio Lukuga que por sua vez desagua no vasto Rio Congo (outro maravilhoso local pleno de biodiversidade quando se fala em fauna aquática). Já os seus principais abastecedores são o Rio Ruzizi e o Rio Malagarasi.
O Lago Tanganyika não foge à regras das águas duras e alcalinas que tão bem caracterizam os lagos do Vale do Rift. No entanto aqui no Tanganyika são atingidos extremos que tornam este pedaço do planeta ainda mais especial. Dado que este é um lago muito “fechado” a concentração de sais é aqui muito maior visto que com a evaporação das águas os sais se mantêm na água aumentando assim a densidade desta. No Lago Tanganyika em alguns locais são medidos valores de pH acima de 9.5.
Em termos de fauna o Tanganyika alberga uma fabulosa diversidade de espécies com animais para todos os gostos. Esta é talvez a principal característica do Lago, a sua diversidade. No lago são encontrados ciclídeos desde os 4 cm até a uns imponentes 90cm. São também encontrados ciclídeos que habitam em rochas, em águas abertas, na superfície, em águas profundas, nas conchas, nos fundos lamacentos, etc…
Diversidade é algo de que o Lago Tanganyika não sente a falta. E esta é a principal razão para o sucesso dos seus habitantes no hobbie.
Também no campo científico o Tanganyika dá cartas devido aos inúmeros processos de especiação que se dão ao longo do processo evolutivo das suas espécies endémicas, sendo o lago uma excelente fonte de informação e base de estudo.
A vasta variedade de géneros de ciclídeos do Tanganyika é deveras extensa e salientamos apenas alguns dos principais e mais comuns: Cyprichromis, Cyathopharynx, Ophthalmotilapia, Eretmodus, Neolamprologus, Cyphotilapia, Julidochromis e Tropheus.
Por curiosidade salientamos que pelo menos 200 espécies de ciclídeos são encontradas no Lago ao passo que em toda a Europa Ocidental não mais que 60 espécies (ciclídeos e outros) vivem na Natureza.
A exploração do Lago no que ao hobbie diz respeito está cada vez mais desenvolvida e são cada vez mais os adeptos do Tanganyika que tentam recriar o seu habitat por entre paredes de vidro. Algo muita vez notado é que por norma, e fazendo uma média, os peixes do Tanganyika chegam até a nós a preços mais elevados do que os seus parentes dos outros grandes Lagos. Poderão existir várias razões para tal mas uma das principais prende-se com o facto de o Lago Tanganyika encerrar diversos perigos como é o caso dos Hipopótamos ou Crocodilos que o habitam. Em alguns pontos do lago a pesca pode tornar-se de facto muito perigosa o que aumenta exponencialmente o preço dos indivíduos capturados. Esta inflação nos preços nota-se, por razões óbvias, acima de tudo nos espécimes selvagens.
De salientar ainda o peso da história que o Lago Tanganyika carrega, tendo sido palco de grandes batalhas aquando da I e II Grandes Guerras. O famigerado comandante Che Guevara foi um dos homens que usou as margens do rio como campo de treino.
E em cativeiro? Quais as diferenças?
Depois de conhecermos um bocadinho melhor os Lagos e as suas características decidimos então qual o biótopo que mais nos agrada. E feita a escolha temos que preparar cuidadosamente o nosso aquário.
O que pretendemos aqui é fazer um apanhado sobre as principais questões que devem ser levadas em conta quando montamos um aquário para Tanganyikas, Malawis, Victorias ou mesmo um aquário em que podemos misturar algumas espécies de lagos diferentes.
O Lago Victoria
Começando pelo aquário do Victoria salta à vista que as suas diferentes espécies acabam por ser semelhantes e aqui os riscos de hibridação são mais que muitos pelo que todos os cuidados são…poucos.
Em grande parte das espécies do Victoria as fêmeas são de muito difícil distinção e como tal devemos evitar a mistura de espécies do mesmo género de forma a mitigar o mais possível os riscos de hibridação.
A escolha dos ratios macho/fêmea é também deveras importante pois caso um macho tenha pelo menos duas fêmeas da sua espécie a probabilidade de querer procriar com fêmeas que não as suas diminui bastante.
O outro principal problema quando toca a um aquário de ciclideos africanos dos grandes lagos para além da hibridação é a agressividade dos animais. E o Victoria não é excepção.
Isto remete-nos para um cuidado especial com a decoração do aquário por forma a criar esconderijos suficientes para os peixes mais fracos (em especial as fêmeas) se poderem esconder. Temos que ter em conta que os machos reclamam para si territórios onde não gostam de ver entrar qualquer outro macho pelo que deveremos proporcionar um território para cada um. Estes territórios são normalmente delimitados por rochas ou plantas altas (vallisnerias ou crinuns por exemplo).
Os Vics (como são carinhosamente apelidados os peixes do Victoria) são peixes extremamente activos e que adoram nadar pelo que aquários pequenos não servem para albergar estes peixes. Um mínimo de 120 cms de frente é indispensável e não deverá ter mais que duas a três espécies. Com aquário maiores podemos então ter um leque mais alargado de espécies não esquecendo nunca os cuidados acima referidos para a escolha das mesmas.
O Lago Malawi
Quando planeamos um aquário que vise a reprodução de um biótopo do Malawi temos logo de inicio que tomar uma decisão: Vamos meter apenas Mbunas, apenas Haps ou vamos reunir espécies dos dois grupos? E esta é uma decisão importante pois vai pesar no tamanho do aquário e na sua decoração.
À partida teremos que ter cuidados no que toca à hibridação independentemente do(s) grupo(s) escolhidos.
Abordando a questão da hibridação em espécies do Malawi temos que pensar em cores e géneros.
Quando nos decidimos a manter Mbunas temos que levar em linha de conta a coloração dos animais, principalmente das fêmeas. Espécies cujas fêmeas sejam semelhantes não deverão conviver no mesmo aquário, independentemente de pertencerem a géneros diferentes. Não que obrigatoriamente se dê a hibridação mas é, à cabeça, uma segurança extra. É que os machos tendem a escolher as fêmeas pela cor e pouca diferença faz que seja de uma ou outra espécie desde que seja da cor das fêmeas da sua própria espécie.
Tal como com as espécies do Victoria também aqui deveremos sempre garantir que não existem machos ou fêmeas sem par já que um peixe sem parceiro da própria espécie é uma “ameaça” pois tal como qualquer outro indivíduo também quererá reproduzir…independentemente da espécie do parceiro. De preferência não devemos misturar também muitas espécies do mesmo género a menos que sejam cromaticamente bastante diferentes.
No que diz respeito à agressividade devemos evitar ter machos com cores semelhantes pois estes tendem a lutar entre eles que se encararam como ameaças. Não é por acaso que na Natureza as populações locais variam bastante e tipicamente não se encontram espécies semelhantes nas mesmas áreas do lago. Deste modo quer os níveis de agressividade quer o risco de hibridação é substancialmente reduzido.
Caso optemos pelo grupo dos Haplocromideos teremos à partida menos problemas em termos de agressividade dado que são peixes bastante mais calmos, ainda que grande parte deles sejam predadores. No entanto em termos de hibridação o problema mantém-se…adensa-se.
Num aquário de Haps devemos providenciar acima de tudo espaço, muito espaço, para que os animais possam esticar as barbatanas como tanto gostam. Aqui as rochas são apenas para marcar pontos de referência e pouco mais já que os peixes não as usam como refugio e podem mesmo ver-se em sarilhos pois têm algumas dificuldades em sair de tocas fechadas pelo que todos os possíveis esconderijos deverão ter passagem por dois lados evitando que um Hap tenha que dar a volta.
Na escolha das espécies em situação alguma devemos ter duas espécies do mesmo género. E mesmo entre géneros diferentes deveremos ter em atenção às fêmeas pois caso sejam semelhantes a hibridação tem grande probabilidade de acontecer. Visto serem peixes com um apetite sexual bastante voraz devemos sempre que possível providenciar mais do que uma fêmea por cada macho pois estes estão constantemente prontos a procriar o que leva a que algumas vezes as fêmeas abortem a incubação dada a insistência dos seus pares.
Falando de agressividade este grupo é bastante pacifico quando comparado, por exemplo, com os seus parceiros de lago – os Mbunas. Normalmente os machos não são implicativos, mesmo entre machos. A violência num aquário de Haps normalmente resume-se a umas corridas e pouco mais. Existe até quem decida ter os chamados “aquários de exposição”. Estes aquários são compostos por diversas espécies (aqui mesmo sendo algumas dentro do mesmo género) mas apenas por machos. Consegue-se um aquário extremamente rico em termos de cor e vivacidade sendo que se perde a componente tão fascinante que é o comportamento reprodutivo.
E se, quer os Haps quer os Mbunas, coabitam no lago porque não mantê-los juntos em cativeiro? Não sendo a opção mais comum é ainda assim perfeitamente viável desde que sejam levados em linha de conta alguns factores.
Temos desde logo que pensar em como garantir o bem-estar de ambos os grupos e para tal precisamos de equilibrar o aquário em termos de rochas (para os Mbunas) e espaços abertos (para os Haps). A escolha das espécies a misturar é aqui também deveras importante dado o comportamento belicoso dos Mbunas que nada que tem ver com a calma e tranquilidade dos Haps. Assim sendo convém escolher Mbunas menos agressivos e Haps com mais estofo. Nestes aquários a probabilidade de termos sucesso nas reproduções sem separar as fêmeas é menor dado o carácter predatório dos Haps.
Deve ser ainda levado em atenção o facto de existirem Haps bastante agressivos (Nimbochromis, Dimidiochromis, Fossochromis) que devem requerer atenções um pouco mais particulares e aquário particularmente grandes (mínimo de 150 cms sendo que idealmente deverão ter 200 cms de frente).
O Lago Tanganyika
Este biótopo oferece-nos desafios diferentes visto que só por muito má escolha de espécies (ou em situações muito particulares como o caso dos Tropheus) se poderá dar a hibridação. É sem dúvida um ponto a favor do Tanganyika mas existem outros contra. Quando chegada a hora de escolher as espécies temos que pensar em como ocupar as diferentes zonas do aquário de forma equilibrada dada a especificidade de cada uma das espécies. No Tanganyika cada espécie tem o seu papel bem definido assim como o tipo de habitat que apreciam e em conjunto formam um puzzle que deverá ser cuidadosamente pensado.
Depois de escolhido o biótopo Tanganyika temos que pensar se o que queremos é um comunitário onde possamos observar diferentes comportamentos, ou se preferimos focarmo-nos apenas num determinado habitat dentro do Lago.
Caso optemos pela primeira opção, temos à partida que ter um aquário com um mínimo de 100 cms e, mesmo assim, as opções que se podem tomar são pouco diversificadas. Ainda assim, podemos optar por uma espécie que habite nas rochas (tipicamente Julidochromis ou Neolamprologus) e uma outra que viva em águas mais abertas (Cyprichromis por exemplo). Se a espécie que habita as rochas for pequena e relativamente pacifica podemos ainda arriscar a manter uma terceira espécie que habite em conchas (existem em Portugal cada vez mais adeptos dos pequenos conchiculas e a sua variedade por cá começa a ser uma realidade).
No caso de termos um aquário maior podemos começar a pensar em manter os chamados filtradores de areia (Xenotilapias, Callochromis, Enantiopus, etc). Estas são espécies pacíficas que denotam apenas alguma agressividade intra-especificamente pelo que os seus parceiros deverão também eles serem calmos e de preferência não habitarem o solo.
Espécies que requerem também elas mais espaço são por exemplo as Ophtalmotilapias ou Cyathopharynx. Estas vivem em plena coluna de água e sendo exímios nadadores gostam de muita água e poucos obstáculos.
Como foi dito acima os conchiculas são cada vez mais populares no hobbie e uma das principais razões prende-se com a sua fácil manutenção e poucas exigências em termos de espaço. Quer num pequeno (60 cms) mono-espécie ou num cantinho de um comunitário são sempre alvo de muitas atenções do seu dono dada a sua personalidade e extrema coragem. Para mantermos estes pequenos gigantes bastará proporcionar-lhes um conjunto de conchas que se encarregarão de dispor ao seu gosto pessoal.
O grupo dos góbios (Eretmodus, Tanganicodus e Spathodus) é também uma excelente opção para um comunitário ou mesmo para manter apenas um casal isoladamente. Ocupam o nível inferior do aquário mas não são particularmente territoriais preferindo deambular por todo o aquário. Uma rocha lisa ou área de areia livre são apreciadas aquando da cópula visto que é nessas áreas que se desenrola toda a acção.
Basicamente quando optamos pelo Tanganyika devemos fazer uma divisão mental do aquário em áreas e/ou níveis e mediante o espaço disponível escolhemos então as espécies que melhor se encaixam. Deveremos ter como preocupação a ocupação do solo (conchas, rochas ou espaços abertos) e do nível superior (rochas, plantas ou coluna de água livre). Conchas deverão estar bem isoladas das rochas para evitar conflitos entre os habitantes de ambas as zonas.
Intencionalmente deixei os Tropheus para o fim pois são um género à parte (gostando-se ou não) e que devem ser vistos de forma diferente. Podemos de forma simplista encará-los um pouco como os Mbunas do Tanganyika. São peixes de cardume que devem viver em grupos grandes e em aquários espaçosos. Idealmente em aquários mono-espécie mas podendo também serem misturados com conchiculas ou góbios (estes últimos partilham do mesmo regime alimentar dos Tropheus que é maioritariamente herbívoro). Os Tropheus são peixes agressivos e a montagem de um aquário para eles gera sempre controvérsia pois existem quem defenda que idealmente deverá ter muita rocha para permitir que se escondam nas suas lutas e por outro lado existe a corrente que no diz que um aquário para Tropheus não deverá ter rochas dado que assim evita o estabelecimento de territórios. Outras teorias há sobre machos ou fêmeas dominantes e muito mais haveria para dizer sobre este género. Quero apenas salientar que, a menos que o aquário seja de facto muito grande, apenas uma espécie de Tropheus deve ser mantida evitando assim que uma espécie domine a outra ou que se dêem cruzamentos entre espécies.
Misturar ciclideos de diferentes Lagos. Sim ou Não?
Esta é mais uma questão de certa forma polémica. Os puristas, claro está, defendem que não se deva fazer. Já aqueles que não seguem a “etiqueta” tão à regra não mostram qualquer problema em fazê-lo. Como em tudo (ou quase) neste hobbie, passa um pouco pelo bom senso. Existem obviamente misturas que jamais deverão ser feitas e outras há que resultam sem qualquer problema.
Não é de todo incomum ver aquários de Mbunas terem no seu setup uma espécie do lago Victoria e de facto não existe nada, para além do purismo, que nos mostre que é uma mistura errada. É certo que os regimes alimentares são diferentes mas facilmente um Victoria se adapta à comida oferecida aos restantes Mbunas. Para além do mais é uma excelente adição em termos de cor (vermelho como cor predominante) visto que nos Mbunas o vermelho é uma cor pouco comum.
Misturar góbios do Tanganyika com Mbunas também resulta perfeitamente visto serem peixes de hábitos parecidos (incubadores de boca e maioritariamente herbívoros) e tendo até a vantagem de ocuparem zonas diferentes do aquário.
Manter C.frontosa (Tanganyika) com Haps do Malawi de grandes dimensões não implica problemas de maior visto serem todos peixes carnívoros e de grandes dimensões que poderão viver em conjunto sem dificuldades.
Estes são apenas alguns exemplos de misturas felizes entre peixes de diferentes Lagos. Fica ao critério do ciclidófilo preferir manter-se fiel a um biótopo ou não. A sensatez é aqui a peça fulcral aquando da tomada de decisão sobre que peixes manter.

Maria Helena Zanon Salvador